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Published on dezembro 16th, 2014 | by Marcelo Leme

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Alguns dos piores filmes de 2014

É comum no mês de dezembro alguns cinéfilos lembrarem dos filmes que assistiram durante o ano. A maioria se concentra nos lançamentos comerciais datados a partir do primeiro dia de janeiro. Centenas de filmes rolaram nos cinemas nacionais. É dificílimo assistir todos. Tive oportunidade de ver cerca de 120 filmes que foram lançados ao longo desse ano. 2014 nem terminou ainda, no entanto já posso mencionar sem saudade de alguns dos maiores fiascos que conferi. Foram muitos! Tomarei a liberdade de lembrar de apenas 10. Alguns dos mais populares. Ahhh, vale ressaltar que, ainda que pareça, esse artigo não se trata de uma propaganda negativa dessas obras. Não cabe a um crítico dizer o que o que deve ou não deve ser visto. Da mesma forma que escolhemos os que mais gostamos, também podemos ressaltar os que nada acrescentaram.

Oldboy – Dias de Vingança (Oldboy, 2013) – Lançado em 05 de Junho

Começo lembrando de Oldboy – Dias de Vingança. O filme é uma refilmagem do longa homônimo do sul coreano Chan-wook Park, lançado em 2003. Totalmente desnecessária, não é justo nem dizer que é uma refilmagem, mas uma adaptação. As escolhas são outras, ainda que vise manter o horizonte e algumas de suas emblemáticas cenas. O roteiro ruim é mastigado e procura outra demanda, destoando da história original e simplificando-a constrangedoramente. Spike Lee errou a mão e construiu um drama convencional, digno das piores referências. Nem a presença da prodigiosa Elizabeth Olsen salva. Por sorte o filme não teve tanta atenção. Este é o único alento aos fãs do original. A obra demorou a ser lançada sendo atrasada por meses. Antes tivesse morrido na sala de edição

A imagem mostra as expressão de Keanu que observava sua atuação num telão

47 Ronins (47 Ronin, 2013) – Lançado em 31 de Janeiro

Outra refilmagem desastrosa foi a concebida por Carl Rinsch, que criou uma nova versão do clássico de 1941, A Vingança dos 47, de Kenji Mizoguchi. 47 Ronins é um filme que começou errado e terminou errado. A produção catastrófica prolongou-se tempo demais, tempo suficiente para o filme se perder em suas pretensões. Também pudera, é impossível olhar para Keanu Reeves e não notar sua apatia e desprazer de estar participando da produção de tal fiasco. Falho em quase tudo o que propõe, não encontra um viés para o protagonista e sabota miseravelmente o sentido daqueles que desejou homenagear. É talvez o maior representante atual da falta de criatividade que vem assolando Hollywood. Masaki Kobayashi e Akira Kurosawa chorariam de vergonha.

Amor fraternal em cena comovente

O Herdeiro do Diabo (Devil’s Due, 2014) – Lançado em 24 de Janeiro

Filmes de horror saem aos montes todos os anos. Alguns são destinados às locadoras. Alguns poucos ganham chance nos cinemas. Entre alguns bons filmes aparecem outros tenebrosos. Por favor, entendam tenebrosos no pior sentido. Assim temos dois representantes deste difícil gênero! O primeiro é O Herdeiro do Diabo, dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. Oportunista, aproveita a safra de filmagem em primeira pessoa e entrega um dos piores exemplares a partir de um bebê demoníaco. Já fizeram coisa melhor com material semelhante. Polanski manda lembranças.

Eric Bana perdido em cena durante o filme Livrai-nos do mal

Livrai-nos do Mal (Deliver Us from Evil, 2014) – Lançado em 18 de Setembro

O filme traz o australiano Eric Bana como protagonista. Incapaz de se decidir se é um thriller policial ou um horror de possessões demoníacas, a obra se limita ao clichê estético para provocar de maneira abusadamente manipulativa sensações de tensão no espectador. Consegue unicamente naqueles não habituados a filmes do gênero. De novidade só o nome que é bem rum também.

O versátil Johnny Depp interpretando um programa

Transcendence – A Revolução (Transcendence, 2014) – Lançado em 19 de Junho

Johnny Depp é um camaleão. É inquestionavelmente um dos atores mais versáteis de sua geração, mas anda com a síndrome de Nicolas Cage: parece não estar lendo os roteiros das obras que tem se metido. Ainda que esteja bem em sua performance equilibrada – contrariando parte significativa de sua filmografia –, não consegue salvar seu novo filme, Transcendence – A Revolução, de Wally Pfister. Não me atenho nem a sua história.  Soa intelectual, mas é medíocre. O espectador atento desvenda sem muito esforço os buracos do roteiro esquemático. O filme proporciona uma invasão de significados cujas razões pouco parecem importar. É a típica ficção vaidosa, com conteúdos lançados a lugar nenhum.

Rio 2 que se passa na Amazônia

Rio 2 (idem, 2014) – Lançado em 27 de Março

Rio 2 é uma sequência supérflua concebida pelo brasileiro Carlos Saldanha. Sua composição animada e revisitações são justamente seus equívocos. O filme sofre por não ter o que apresentar, sendo obrigado a revisitar terrenos mexidos e buscar sucesso com a convenção dos experimentos já testados. Acaba ligeiramente divertido e pueril, com muita cor, muito ritmo e pouca imaginação. Deu certo na primeira investida – com ressalvas – e perdeu o sentido no segundo. A animação planou em meio a risadas e bocejos.

Endless Love

Amor Sem Fim (Endless Love, 2014) – Lançado em 12 de Junho

O que foi esse Amor Sem Fim, de Shana Feste? Lançado comercialmente no dia dos namorados, o filme reúne todos os clichês possíveis de um romance corriqueiro. Bem, isso é tristemente compreensível. É possível, sem exageros, antecipar quase todas as cenas. O casal central nem precisa de química, precisam de tempo para demonstrar seus valores morais escancarados numa trama corriqueira e assim garantir a atenção de um público bem específico. Os vícios cinematográficos atingem a técnica pouco inventiva com nuances de fotografia evidenciando quente e frio, distanciamento e paixão. Fica bonito somente na foto.

Sarah Wayne Callies observa o Framboesa de Ouro próximo de No Olho do Tornado

No Olho do Tornado (Into the Storm, 2014) – Lançado em 28 de Agosto

Um grupo de estudantes documentam os eventos catastróficos de um devastador tornado. No olho do Tornado, dirigido por Steven Quale, é um entretenimento convincente, mas não é cinema. O filme veio promover diversão a partir da tridimensionalidade. Em sessões caseiras pouco funciona. Reunindo um monte de interpretações irrisórias e situações convenientes a um suspense de ocasião, este é um mockumentary banal. Um Twister sem graça  e sem vaca; e carente de trama. Saiu unicamente a fim de aproveitar a tecnologia e jogar o espectador para dentro da sala escura como se estivesse lançando-o em algum brinquedo de parque.

A imagem traz um robô e um dinossauro robô Coisa de Gênio

Transformers: A Era da Extinção (Transformers: Age of Extinction, 2014) – Lançado em 17 de Julho

Michael Bay perdeu o bom senso há muito tempo. Em seu Transformers: A Era da Extinção, o diretor demonstra sua habitual megalomania ostensiva e o maniqueísmo barato. São apenas robôs brigando contra robôs, robôs subindo em cima de dinossauros robôs. Ridículo! São 3h de ação ininterrupta, tempo suficiente para o público começar a babar. De cinema há muito pouco. Sem alternativas em seu chamariz comercial, o veterano Mark Wahlberg acabou escalado para servir de enfeite e aparecer no cartaz. Os bons efeitos visuais e sonoros são minados pela limitação criativa. Explosões, pancadaria e machismo se exaltam. Prioriza-se a dinâmica masturbatória. É um dos favoritos ao Framboesa de Ouro.

Tartarugas em mais uma das piadas manjadas que até Se Beber Não case já fez

As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles, 2014) – Lançado em 14 de Agosto

As tartarugas ninja, de Jonathan Liebesman, reúne tudo o que há de pior em um filme. Personagens chulos, roteiro estapafúrdio, cenas ordinárias e atuações constrangedoras. Megan Fox desmaiando e uma das tartarugas com flatulência são apenas alguns dos momentos mais embaraçosos do cinema contemporâneo. A ingenuidade da trama corrobora a ignorância de sua história feita para crianças com senso crítico de amendoins – há coisas mais profundas no Bom Dia e Cia. As Tartarugas Ninja nunca tiveram um filme digno, mas ao menos os passados tinham alguma substância e hoje são favorecidos pela nostalgia. Aqui há profunda boçalidade com personagens carismáticos – as tartarugas estão sim divertidas e notavelmente desenhadas, porém existem num filme minúsculo. Esse é um aborto cinematográfico, o tipo de aborto que deveria ser proibido. É o pior filme do ano? Se não é, está bem próximo disso.

Menções desonrosas:

Virgínia, de Francis Ford Coppola

Muita Calma Nessa Hora 2, de Felipe Joffily

Juntos e Misturados, de Frank Coraci

Drácula: A História Nunca Contada, de Gary Shore

Pompeia, de Paul W.S. Anderson

300: A Ascensão do Império, de Noam Murro

Paixão Inocente, de Drake Doremus

Jovem Aloucada, de Marialy Rivas

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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