Críticas

Published on novembro 9th, 2015 | by Marcelo Leme

0

Crítica: 007 Contra Spectre

007Gosto muito da franquia 007. Indo mais longe, Daniel Craig é meu James Bond predileto, o que não significa que seus filmes vivendo o agente sejam os melhores. Operação Skyfall foi esplêndido. Esse 007 Contra Spectre precisa lidar com a sombra do sucesso passado. Craig novamente é dirigido pelo extraordinário Sam Mendes. No elenco ainda estão nomes como Christoph Waltz, Léa Seydoux e o retorno de Ralph Fiennes. Como isso pode dar errado? A cena inicial é excepcional. Um longuíssimo plano sequência durante o dia dos mortos no México, apresentando personagens e seu protagonista prestes a concluir – ou iniciar – outra missão. Um belíssimo início para um filme que não foi tão belo assim. O que não funcionou em 007 Contra Spectre?

Parece claro desde o início um possível esgotamento da série, algo que Sam Mendes, talvez desmotivado, não conseguiu esconder. Isso é estranho, pois o último trabalho foi aclamado mundialmente. O desleixo do cineasta começa quando este não se preocupa tanto em mascarar dublês. Também há uma foto importantíssima cuja montagem é constrangedora. E o paradeiro da personagem de Monica Bellucci? Um cineasta da competência de Mendes não deixaria furos assim caso estivesse realmente interessado em dar sequência ao projeto.

Ora, pelo bem ou pelo mal, há muita coisa que consegue nos manter atentos, reconhecendo a história desse tão valoroso personagem. O luxo do figurino, a sensualidade das bondgirls e o humor típico inglês estão presentes, além do vilão que ganha muita atenção e é construído a partir de sombras, como se este fosse o único ser inacessível por James Bond. O roteiro visa dar dimensão a um vilão oculto, relacionando todos os outros filmes os quais Craig participou. Uma cena perto do final mostra rostos em papeis colados nas paredes, rostos de outros personagens. Uma cena bonita com bastante função, mas se pensada além da história, parece absurda e até ridícula, transformando seu vilão num… é melhor não comentar para não entregar coisas importantes.

Esse último comentário apenas reflete o descuido de seus realizadores em comprometerem o ideal proposto em seus últimos filmes: ser realista. Aqui o realismo é sofrível, a vaidade visual comanda. Prejudicado pelo descuido, resta-nos acompanhar boas cenas de ação, daquelas que tornaram-se convencionais em longas similares. E se uma das expectativas dizia respeito ao elenco, então a decepção aumenta. Léa Seydoux parece amarrada numa personagem confusa – em certo instante, não tive certeza se o problema do filme era a montagem ou se o roteiro quis fazer dela uma mulher muito imprecisa. E Christoph Waltz? Aparece afetado e sem nenhum direcionamento. Um monte de caricaturas.

Podemos especular preguiça ou qualquer outra coisa, mas nada condiz. O filme não mancha a série, há piores, mas esse envolve outros filmes, o que merecia maior dedicação e cuidado. Com Craig, possivelmente esse tenha sido o pior. O ator continua sendo um protagonista eficiente, mas talvez esteja demasiado desgastado. Há contrato para mais um filme. Existirá?

Comments

comments

Tags: , , , , , , ,


About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑
  • ASSISTA NOSSOS FILMES DE GRAÇA

  • Parceiros

    Parceiro - Adorocinema
  • Parceiro - Centerplex
  • Inscreva-se no Youtube!