Críticas

Published on junho 12th, 2017 | by Marcelo Leme

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Crítica: A Múmia

Algumas produções fazem de tudo por bilheteria. E como iremos questionar isso? Filmes caros precisam ser pagos. Mas a pretensão é onerosa! Dito isso, creio que você, leitor, possa interpretar que eu quis dizer que este A Múmia seja pretensioso. Por quê seria? Por fazer uma releitura do clássico A Múmia (1932)? Por se inspirar na franquia iniciada em A Múmia (1999)? Ora, em nada tem a ver com nenhum dos dois. Ao menos não diretamente. Este novo é independente, tem sua própria história e seu horizonte cobiçado. Não é em nada pretensioso, mas bem que poderia ser minimamente, com ambição em ser mais do que uma sessão pipoca amanteigada, genérica e ordinariamente aborrecida.

E havia material, em?! Os primeiros trailers venderam um filme tenso, uma aventura que encontrava o horror a partir de uma ameaça sobrenatural oriunda do Egito, carregando a mitologia de seus deuses. Com Tom Cruise no elenco e sua performance heroica em cena, era inevitável não associar seu personagem ao seu icônico Ethan Hunt, de Missão: Impossível. Há muito dele mesmo, mas o roteio se submete ao clima de descontração, fazendo uso de piadas para fazer da obra a mais descompromissada possível, enterrando a expectativa gerada e aniquilando qualquer possibilidade de originalidade, sendo um exemplar pueril igual a tantas outras obras similares.

A Múmia é falho em quase tudo o que propõe. Tem seus bons momentos imersivos – tal como a sequência do avião e a de um mergulho – e efeitos competentes que agem a favor do filme, não restringindo-os a meros adornos. Em sua ótica de reinvenção, narrativamente quase nada traz de novo. É basicamente um filme de humor zumbi que encontra declaradamente o médico e o monstro – a cena a qual apresenta um cientista chamado Henry Jekyll é constrangedora. Entende-se a presença do médico e o monstro, já que o maior mérito da obra é discutir a dubiedade de seus personagens, centrando em seu protagonista ambíguo. Não há exatamente um vilão, mas antagonistas, e o caráter dos personagens é colocado a prova frente seus discursivos interesses.

O diretor Alex Kurtzman (famoso por seus roteiros de ficção) conserva o estilo que solidificou sua carreira enquanto roteirista. Não é muito feliz na cadeira de direção por não dar conta de tirar de seus atores e nem de suas várias sequências instantes oportunos que visem qualquer emoção. As vezes o filme aborrece e entedia. Como isso é possível para uma produção tão esquemática? Kurtzman apenas esboça um plano de abertura para a franquia e encontra uma atriz que vem se popularizando em personagens extravagantes: Sofia Boutella, de Kingsman (2015) e Star Trek: Sem Fronteiras (2016). Boutella vive uma sensual Múmia e honra a personagem através de características físicas similares a de Patricia Velasquez, do filme de 99. É bom vê-la em cena desfilando com diferentes maquiagens. Já Tom Cruise se reinterpreta com seu habitual estilo aventureiro e heroico.

Mas insisto. Onde foi parar o horror prometido? É evidente e válido o interesse da Universal em trazer de volta seus monstros antológicos, no entanto é de se lamentar a veia cômica proposta em tal feito. Particularmente, me resta torcer para que não seja assim nos próximos. E não serão poucos.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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