Críticas

Published on maio 16th, 2016 | by Marcelo Leme

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Crítica: Angry Birds – O Filme

angry birds filme notaEstão adaptando tudo! Isso está rolando tanto em Live Action quanto em animações. A adaptação da vez derivou do jogo homônimo Angry Birds, aquele mesmo em que lançamos pássaros coloridos para destruir os larapios porcos verdes. Basicamente o jogo é isso. Claro e objetivo. Como adapta-lo? Como dar a ele uma história que fundamente um longa? Como empregar uma narrativa diante tão pouco conteúdo temático? Sabe-se somente que os mamíferos esverdeados roubam os ovos dos pássaros. Como construir um roteiro em cima disso? A liberdade em construir uma história a partir de escassas informações gerou uma surpresa agradabilíssima: uma das melhores adaptações de um game de todos os tempos!

Achou exagero?

A afirmação deverá chamar atenção, mas pense na história de adaptações de jogos para as telonas. Bastante infeliz, não é? Nesse sentido, Angry Birds – O Filme destaca-se mesmo sem ser um grande filme, mas um trabalho cujo interesse é divertir, fazer piada com tudo e não se preocupar em enfiar goela abaixo qualquer moral para seu público infantil. O sarcasmo impera sem dó. A história é simples, com raríssimas inovações. Traz um bando de pássaros coloridos que convivem numa ilha habitada somente por eles, até a inesperada chegada de uma estranha e desconhecida espécie, os porcos mal intencionados. Tudo dá subsídios para a elaboração da cena básica do jogo: o arremesso dos pássaros. Com isso, entendemos que o roteiro construiu-se em função de tal alçada, o clímax relacional.

Justifico a intenção do roteiro em se adequar ao convencionalismo em sua estrutura. Levanto suas criticadas limitações, mesmo as vendo como ligeiramente benéficas, ainda que oportunistas. É um filme para vender, para ganhar dinheiro. Faz isso da mesma forma que outras adaptações, da mesma maneira que desenrolam infindáveis sequencias. No entanto, faz com gosto pela recreação, já que absorve básicos recursos estruturais e os utiliza da melhor forma: o roteiro é ágil, a montagem acelerada e as piadas se acumulam todo o tempo. Piadas boas e piadas ruins. Algumas debochadas. São tiros incertos. Alguns acertam. As gags explodem cena após cena e as referências – musicais, cinematográficas e a cultura pop de um modo geral – exploram outros níveis de diversão. Simplório, mas eficiente, Angry Birds – O Filme oferta uma honesta sessão pitoresca e zombeteira.

Seu esforço em dar dimensão aos seus personagens também merece atenção. Red, o mal-humorado pássaro vermelho protagonista, ganha profundidade quando é destrinchado. Outros pássaros com comportamentos questionáveis seguem pelo mesmo caminho. São obrigados a frequentar terapia como punição, a fim de aprenderem a ressocializar. É um tema seríssimo tratado com jocosidade. O recado é: nada aqui é para se levar a sério, tampouco comportamentos destrutivos e sociopatas. O filme não é para se levar a sério, é para ver e se divertir, um passatempo convencional, tal como seu famoso jogo.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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