Críticas

Published on março 6th, 2015 | by Lais Queiroz

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Crítica: Anticristo

modeloAltereaAnticristoQuando se fala em Lars von Trier, a primeira palavra que passa pela mente da maioria das pessoas é ‘’polêmico’’. O diretor não hesita em tratar sobre violência, sexo e males da sociedade. E faz isso de forma bastante explícita.

Lars von Trier foi um dos percussores do movimento cinematográfico Dogma 95. Tal movimento consistia na produção de filmes mais próximos da realidade possível. Não havia cortes de cena, efeitos especiais nem iluminação artificial; além disso, o som precisava ser do ambiente e a câmera usada em mãos.

Em Anticristo (2009) o diretor não seguiu todas as regras do Dogma, porém a obra lembra bastante o movimento pelo fato de apresentar tomadas longas e filmagem do estilo câmera na mão. O filme é protagonizado por Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe, e fala sobre o marido e mulher que lidam com a morte de seu filho Nic. Mais do que isso, é um filme sobre dualidade. Ele e Ela. Bem e Mal. Prazer e Dor. Razão e Emoção. Sagrado e Profano.

O prólogo é belíssimo, e nele já podemos notar a dualidade. Usando imagens em preto e branco, juntamente com a trilha Lascia Ch’io Pianga (Tuva Semmingsen), Lars Von Trier intercala dois acontecimentos, um casal fazendo sexo e a morte de uma criança que escapou do berço e caiu da janela do apartamento. O desejo da carne e a perda da inocência.

Os cinco minutos iniciais estão repletos de signos e mensagens que possivelmente passam despercebidos pelo espectador. Por exemplo, em determinado momento aparece no quarto da criança três pequenos bonecos com os escritos: Pain, Grief e Despair (Dor, Tristeza, Desespero). São chamados de ‘’Os Três Mendigos’’ pelo diretor. Vemos ai uma antítese aos Três Reis Magos da Bíblia. Enquanto os Três Reis Magos se unem para celebrar o nascimento de uma criança, Os Três Mendigos irão presenciar a morte. Lars Von Trier faz isso o tempo todo, dá outros significados aos símbolos sagrados.

A trama, então, se desenvolve com o falecimento do filho do casal. Ela, mãe cujo nome não é revelado, é claramente a mais afetada. Ela é a parte emocional, a parte que sofre de culpa, que passa pela dor, tristeza e desespero. Já Ele, o marido e psiquiatra, representa a parte racional. Sua compostura é tanta que até passa certo desconforto, mal parece que perdeu o filho.

Com o intuito de aliviar a angústia de sua mulher, o marido a leva para uma cabana isolada da cidade, na floresta. O local é chamado de Éden.  Para Ela, o lugar é aterrorizante. A floresta representa o mal, a morte, o terror. Concepção bastante diferente do livro sagrado.

No final do filme, percebemos que o título Anticristo não se refere à criatura demoníaca, mas sim à negação ao cristianismo. Não é uma obra fácil de digerir. Há muitas cenas fortes de violência, além de várias simbologias e referências da área de psicologia. Porém, vale muito a pena assistir.

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Lais Queiroz

Estudante de Publicidade e Propaganda na PUC Minas - Poços de Caldas. Apaixonada pela área Audiovisual, cinéfila desde quando se conhece por gente.



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