Críticas

Published on agosto 18th, 2014 | by Marcelo Leme

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Crítica: As Tartarugas Ninja

Eu poderia permitir me enganarEsboçoAltereatartaruga pensando que a nova adaptação de As Tartarugas Ninja fosse exclusivamente um filme voltado para o público infantil. Até parece mesmo, pensando no todo apresentado, mas é uma aberração narrativa com um roteiro preguiçoso e com total falta de senso. Rasa, a história dos mutantes não desperta qualquer interesse. Ressalto que não entro nem
no caráter da adaptação propriamente dita. Isso pouco importa. Nos levamos unicamente pela diversão. O maniqueísmo proposto é insosso, esquecível e irrelevante. Parece mais um reaproveitamento de tantos outros roteiros com heróis improváveis com seus personagens convencionais e finalidades duvidosas. Embora pareça perseguição, a constatação sobre a ruína é evidente: produzido por Michael Bay, uma das figuras mais questionáveis do cinema, não dava pra se esperar qualquer coisa que não fosse um show visual numa obra absurdamente cretina.

A direção do sul africano Jonathan Liebesman, responsável por filmecos como Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles, 2011) e Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans, 2012), apenas se encarrega de coordenar os efeitos e encontrar algum posicionamento dos personagens em cena. Até nisso falha! É algo que não deveria falhar, uma vez ter Michael Bay por trás. Em Transformers, dirigido por Bay, por exemplo, a fotografia é competente quando busca alguma disposição de cena juntamente a direção artística com o arranjo dos cenários. Aqui tudo é obscurecido e superficial. Discute-se ainda a ingenuidade em relação a proposta da obra, recreação comercial simples que possivelmente tenha vindo com o intuito de ressuscitar os habitantes do esgoto de New York e angariar alguns milhões em tempos de exaltação heróica como se o mundo dependesse de individualidades. Ser ingênuo não significa ser tolo. O filme é tolo, não ingênuo.

E Megan Fox? Bela e limitada atriz que se viu em guerra contra o próprio Bay nos dois primeiros filmes da frívola franquia Transformers, aqui se vê entre quatro mutantes demonstrando novamente sua beleza – dessa vez contida em trajes invernais – e seu talento nulo em atuar frente à câmera. Ela dá forma a famosa jornalista April O’Neil. Empalidecida numa obra a qual atuações pouco importam, resta o delírio visual em cenas ligeiramente empolgantes. O bom William Fichtner está caricato e Whoopi Goldberg constrange numa ponta pueril. O que ela está fazendo ali? Uma presença ilustre. É o tipo de coisas que atrai mais que o filme. Quanto a história: as tartarugas surgem quando New York está tomada por violência e corrupção, com o Destruidor e o Clã do Pé controlando toda a cidade. Vale o embate, algumas boas cenas ascendem e logo tudo se converte em piada, piada, piada e aborrecimento.

Nem tudo é terrível. A concepção gráfica das tartarugas é brilhante! A caracterização de cada uma encanta pelo primor do desenho e seus detalhes. Elas são carismáticas e, estereotipadas,  carregam os trejeitos e características reconhecidas, além disso são atentas a cultura pop, questão que favorece a interação do público com os personagens.  Um novo filme virá em 2016. Que tal continuação traga explicações melhores para tudo o que assistimos, já que aqui buracos são tapados com clichês. É diversão descontraída! Tenho usado cada vez mais essa definição. Constatação preocupante, pois significa que o cinema comercial vem se reduzindo a descontração sem substâncias e valor. E pior, é o óbvio alcance da idiotização tão discutida. Quando iniciei o texto especulando seu público ideal, não me dei conta que havia ofendido a inteligência das crianças pensando que um produto desse tipo fosse direcionado exclusivamente aos pequenos.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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