Críticas

Published on janeiro 16th, 2014 | by Marcelo Leme

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Crítica: Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal

aparanormalNovos rumos e os mesmos equívocos. O cinema tem com Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal um retrocesso que já é costumeiro em franquias caça níqueis. Essa é uma sequência irrelevante diante o que já foi produzido, embora os roteiristas busquem alguma inovação que faça o público comprar a idéia. O foco de outrora era assustar. Segue sendo, mas sem sucesso. Não há muito o que mostrar em seus quase 90 minutos. Situações adversas, gente nova no pedaço, trama envolvendo os longas anteriores e câmeras, câmeras que parecem extensões do corpo humano. Essas jamais são desligadas, não importa a situação. O terror quase converte-se em humor. Nos habituamos e com isso condenamos a franquia.

Os roteiristas decidiram trazer personagens latinos. Um jovem mora sobre o apartamento de uma mulher chamada de bruxa por vizinhos e moradores do bairro. Ele sempre a teve por perto, sem qualquer contato, debochando de sua aparência e atitude. Após seu aniversário de 18 anos, finalmente aproximou-se dela após eventos catastróficos e percebeu sua vida virar um inferno imediatamente após vivenciar o prazer de possuir super poderes. A ótica do longa explana horizontes e se perde no poente sol que enterra o terror. As bruxas estão a solta montando um exército, temos cada vez mais clareza das intenções por trás das escolhas dos roteiristas.

A inovação proposta parte da dúvida sobre os eventos, do ceticismo daqueles que ouvem falar ou assistem vídeos no youtube quando Jesse (Andrew Jacobs) posta um vídeo mostrando as habilidades que estranhamente desenvolveu. Isso instiga a dúvida, especialmente dos supersticiosos que acreditam nos eventos ocorridos, as tais atividades paranormais. Ao menos esses se divertirão um pouco mais com o filme. O diretor Christopher B. Landon aposta nisso, prepara o terreno de um nicho já conquistado ao longo dos anos para surpreender graças a inventividade. Infelizmente a leva de longas similares impedem que a proposta funcione conforme desejado.

Semelhante aos outros, exceto por duas ou três decisões diferenciadas – como a tentativa de promover humor – a franquia segue inalterada e fadada ao fracasso. Vale pelos fãs revisitarem a mesma sensação em terreno distinto. Quem não gostou continuará não gostando. E o cinema se petrifica com mais um caça recompensa em nome de um filme que hoje não conta com números a cada sequência, mas com subtítulos. Perspectiva publicitária, uma fraude para os cinéfilos.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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