Críticas

Published on dezembro 3rd, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Bem Casados

bemcasadosDesconjuntada e sem graça, Bem Casados é uma comédia romântica – ao menos julga ser –com bons atores atuando numa história sofrivelmente desenvolvida. O filme, a princípio, fala de casamentos. E a partir de casamentos, fala de solidões, desafetos e critica o conservadorismo imperador nesse tipo de celebração. Há toda uma trama arquitetada que logo é descartada para dar espaço a outra ideia. Aí, de repente, o longa se quebra. A impressão é de que outro filme tem início a partir de sua metade. O que aconteceu, afinal? Má direção? Um roteiro impreciso quanto sua finalidade? Tantos assuntos não levam a lugar algum.

A julgar pelo tema, existem infinitas possibilidades de desenvolvimento narrativo. Em primeira instância, o que diz respeito ao matrimônio e todo o teatro que lhe envolve. O segundo, esse mais composto, refere-se à profissão do protagonista. Heitor é um profissional que trabalha com filmagens de casamento. Ele coordena uma equipe de filmagem. Nesse âmbito, há muitos ecos possíveis com a própria ideia de se fazer cinema. Além disso, seu personagem é construído de modo que compreendamos sua melancolia por ser solteiro num cenário de casais, ainda mais no auge de seus quase 50 anos.

Em um trabalho rotineiro, Heitor conhece Penélope, mulher cujas motivações pelos desejosos feitos não são complexas, são mal definidas. Então não há genialidade alguma na trama, mas enrolações sem direcionamento. Penélope quer arruinar um casamento. Heitor precisa fazer dele o mais perfeito possível, especialmente por se tratar da união de duas famílias conhecidas do Rio de Janeiro. Essas famílias são envolvidas com política. Em determinada cena, em frente ao portão da mansão onde acontecerá o casamento, pessoas protestam pedindo para ambas as famílias, consideradas corruptas, não procriarem. Uma piada apropriada aos tempos atuais, no entanto sem serventia alguma a produção.

O roteiro é demasiado bagunçado e tão mal resolvido a ponto de não saber se segue a linha reflexiva de Heitor com seus dilemas morais, ou se absorve melhor a personagem da avassaladora Penélope. Outros assuntos são vendidos como importantes, porém são abandonados em pouco tempo. Existe o assunto da corrupção encaixada sem grandes fundamentos, ainda que soe oportuno; personagens secundários abstrusos – destaco a estagiária Alice, sem tanta função a não ser dedicar a simpatia e carisma da ótima Bianca Comparato – e os ‘jeitinhos brasileiros’ para conseguir as coisas. Tem também padre esquisito – há uma boa piada envolvendo Renato Russo e passagens bíblicas.

Levantei a hipótese da direção ser falha. Esta me parece prejudicada pelo roteiro ruim. Aluízio Abranches é quem dirige o filme. O cineasta havia dado sinais promissores no pertinente Um copo de cólera e no eficiente Do começo ao fim. Neste Bem Casados, revela-se apenas burocrático. Alexandre Borges e Camila Morgado estão afinados. A dupla vive o casal protagonista. Provavelmente a melhor coisa por aqui seja acompanha-los.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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