Críticas

Published on abril 4th, 2016 | by Marcelo Leme

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Crítica: Casamento Grego 2

Placa casamento Grego 2Lá se foram 14 anos desde que Casamento Grego invadiu os cinemas e virou uma febre. Nessa inesperada segunda parte, mais das mesmas piadas se somam, encontrando alguns ótimos bons momentos. Não tem o mesmo vigor do primeiro filme, mas tem os mesmos personagens, o que garante o mais importante: uma divertida e descompromissada sessão. Isso tem valor ao cinema. E que bom ver Michael Constantine, como o patriarca Gus, novamente em cena.

Nia Vardalos retoma o protagonismo com sua irrequieta Toula, mas dessa vez, o casamento a ser celebrado é de seus pais. Um probleminha com documentação revela que seus pais não eram casados, para o desespero de Gus. Então, é hora de unir a família e finalmente realizar o casório… maaaas, há alguns empecilhos para mover a trama e exprimir significados a cerca de aceitações em diferentes níveis e diferentes pessoas.

Nessa ótica, a história busca explorar o conceito da aceitação sem se aprofundar. A intenção não é criar um estudo a cerca dos personagens, mas se apoiar na leveza do texto para despertar qualquer reflexão sobre o que cada um desses traz de diferente. Então usa-se uma família grega tradicional – faz-se questão de esmiuçar isso – para delinear choques culturais, ainda mais com uma garota que está prestes a sair do colégio rumo a faculdade. A família grega vive próxima! Seria aceitável um de seus membros, ainda mais uma mulher, morar sozinha em outro estado?

Muita gente vai sentir falta da exploração desse conteúdo. No entanto é preciso entender que Casamento Grego 2 é um filme de gênero definido e não tem qualquer interesse em ir além de seu competente bom humor. É uma comédia além do drama, além do romance. Precisa de um argumento para extrair piadas. O consegue. Aos fãs do filme original, poderão matar a saudade do restaurante, das intrigas, de algumas velhas piadas e de seus adoráveis personagens. Tudo é caos e tudo é união. A direção comedida de Kirk Jones parece entender isso. Até a montagem propõe desorganização, remetendo diretamente o atual momento familiar.

É um filme necessário? Não, mas não ofende sua história original. E em tempos de tantos remakes, reboots e sequências, não é nada estranho deparar com tal continuação. Aliás, tal filme põe a prova o valor histórico do primeiro longa: os cinemas não estão tão lotados. É bem verdade que o marketing sobre ele não foi dos mais propícios. Mas fora um filme importante em sua época. É possível, assim, que a obra cresça com o tempo.

E no emaranhado de gags e piadas, com a maioria destas debruçadas na cultura familiar, nada vai muito além do riso simplório e satisfeito. Absolutamente todas as tramas – 3 romances representando 3 diferentes gerações – são retratados com limitadas singularidades. Então o público não deverá esperar com expectativa suas resoluções, já que a obviedade condensa e condena qualquer tentativa de valorização narrativa. É o filme certo para quem busca diversão breve e pelo favorecimento da nostalgia, mas só àqueles marcados pelo caótico casamento visto anos atrás.

Assista ao trailer do filme clicando AQUI

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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