Críticas

Published on dezembro 4th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi

comosobreviver a um ataque zumbiÀs vezes custa a entender algumas escolhas ao se fazer cinema. Mais do que isso, às vezes custa compreender o que certas pessoas fazem no cinema. Se Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi tivesse sido lançado nos anos 80 ou início dos anos 90, época em que vários filmes similares estouraram, provavelmente seria considerado um dos piores entre eles. Isso por não convencer enquanto comédia e ser incapaz de criar qualquer clima de suspense. Para que serve então? Debochar de escoteiros? Ser mais um filme cujo intuito é tratar de zumbis de maneira escrachada? Ser descolado? Até para se fazer essas coisas precisa-se de alguma inteligência.

Jovens nerds e sem muito jeito com garotas estão cansados de serem rejeitados por aqueles, digamos, mais populares, e repentinamente encontram possibilidades de superação. Eu poderia listar vários filmes com tema similar. Veja, isso não é um problema. Anualmente aparecem filmes com uma ideia assim cuja execução, ao menos, tem alguma originalidade. Está cheio de besteirol por aí. Bons, inclusive. A questão se dá pela construção da produção cinematográfica e de tudo que a envolve. No caso, nesse aqui, pouco sobra para nos divertirmos. Não se trata uma comédia de mal gosto, mas de uma comédia incompetente pendente ao riso fácil.

Uma cidade é inteiramente dominada por zumbis. A cena inicial, tão esdrúxula como todo o resto, nos mostra como o ataque iniciou-se. Sem razões e explicações, a coisa toda acontece. Simplesmente acontece. Aqui tem um ponto importante a ser compreendido. Vejam: roteiros não tem obrigação de explicar tudo. O que aconteceu antes da premissa principal pode ser ignorado, desde que isso não comprometa o desenvolvimento da mesma. Neste caso não há problemas. Mas também, frente à inteligência apresentada por seus realizadores, parece ser impossível esperar que esses pensassem em alguma ideia minimamente sensata que justificasse o caótico ataque zumbi, mesmo para um filme que ignora qualquer sensatez.

Então, o que sobra? Belas garotas como alvo da libido adolescente? Elas estão ali, inclusive há uma cena numa boate que almeja ter alguma originalidade quando os garotos estão frente a um poli dance. Em As Strippers Zumbi, realizaram a mesma cena de modo muito melhor. E se comparações são inevitáveis, pela proximidade temática, Todo Mundo Quase Morto segue reinando.

Outras características do gênero estão presentes. É como se o roteirista pegasse uma cartilha com atributos fundamentais do trash, b e slasher, e jogasse tudo no meio da história pensando que poderia unir todas elas. O resultado é de fato medíocre. Também não serve para exprimir referências, dado que parece querer repercutir original. Às vezes até funciona, porém creio que somente com o espectador que tenha visto pouquíssimo ou nenhum filme similar e suas referências de humor baseiem-se em Zorra Total. Aí, numa percepção limitada, o filme pode ser transgressor e politicamente incorreto. Ora, isso é tão anos 80. Saudades, Fome Animal.

Fracasso de bilheteria nos EUA, a obra traz jovens escoteiros – totalmente satirizados –  incumbidos de salvar a cidade quando ninguém lhes pediu ajuda. Eles unem seus conhecimentos e partem para a guerra contra os zumbis – esses tem uma característica bem particular. No meio da jornada, cenas absurdas e tentativas de piada mal sucedidas. O diretor é Christopher Landon, cara que não tem um currículo atraente, mas que tem na família gente envolvida com cinema. Eis a ovelha negra, provavelmente.

E para concluir: se determinada cena chave traz o protagonista segurando o pênis de um zumbi a fim de se equilibrar, então não há muito o que se esperar da produção, a não ser situações constrangedoras cujo propósito é simplesmente esculachar enquanto um espectador ou outro consegue sorrir. Até na intenção de esculachar é preciso ter uma mínima noção de cinema. No caso, aqui, não há nenhuma.

 

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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