Críticas

Published on janeiro 20th, 2014 | by Marcelo Leme

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Crítica: Dylan Dog e as Criaturas da Noite

dylanMais um dos vários filmes adaptados a partir de histórias em quadrinhos. Um excremento cinematográfico. Dirigido por Kevin Munroe, o cara responsável por As Tartarugas Ninja – O Retorno, este Dylan Dog e as Criaturas da Noite traz uma das várias investigações de um detetive criado por Tiziano Sclavi lá nos anos 80. O personagem título se aventura no mundo sobrenatural, combatendo seres como vampiros, lobisomens e zumbis. Pegando carona em tranqueiras como Underworld – Anjos da Noite (Underworld, 2003), a narrativa une mitos e arruína seus valores.

De início não compreendemos o que foi-se feito com este investigador que anda pegando casos sobre vidas privadas. Fica no ar a atraente ótica de investigação com um teor noir. Logo teremos a resolução, reconhecemos o tal letal Dylan Dog. A premissa é até surpreendente: o pai de uma jovem é morto por uma criatura sobrenatural, o que se choca com o ceticismo da polícia. Alguém especial deve ser convocado a desvendar o caso. A ambientação com resquícios de longa de investigação fantástica é boa, seu desenrolar, no entanto, é muito mais do que constrangedor, é um desfavor ao cinema. E a inteligência. Tudo ainda vem temperado com piadas prontas de folhetim, fazendo o público desconfiar se está rindo do que se sucede em cena ou de vergonha por assistir um filme assim.

Munroe, aliás, péssimo na direção, não coordena atores e sabota o ritmo da narrativa formulaica, produzida para um nicho a fim de faturar alguns trocados. O roteiro é furado e negligenciado em favor da estética. Não há uma ordenação e tudo é jogado ao espectador. Sem o que dizer e o que mostrar, o filme se prolonga para lugar nenhum e termina deixando uma sensação de alívio unicamente por ter terminado. O elenco é igualmente pífio, encabeçado por um Superman de outrora, inexpressivo.

A estrela é Brandon Routh de Superman – O Retorno (Superman Returns, 2006). Pouco íntimo da persona Dylan Dog, o ator até busca investir com esforço alguma agressividade nas cenas de ação – que são muitas, diga-se de passagem – mas a falta de personalidade e bagunça narrativa apenas empalidece o filme diante obras semelhantes. Há ainda algumas lembranças soltas ao longo da narração como similaridades a série True Blood, realizadores como Wes Craven e Spawn, este último por sua infâmia. Discorre-se aqui um comentário unicamente referente ao longa, uma vez que jamais li as HQ’s do detetive. E certamente nunca irei ler.

Banhado com doses de ação e efeitos sórdidos, o que é aceitável dentro de uma proposta trash, o filme, que por vezes visivelmente economiza no orçamento, – evidente nas cenas em que a câmera prioriza o atirador e não os atacados – traz uma temática visando um público bastante específico. Até estes provavelmente terminarão decepcionados. A comoção mais comum despertada pela obra é o desejo de apertar stop e ir fazer qualquer outra coisa. O abuso de cenas com o personagem Marcus (Sam Huntington) mostra a pretensão do diretor em propor alguma recreação, mesmo sendo de profundo mal gosto, herança de piadas dos pastelões mais desprezíveis. Dylan Dog é indefensável!

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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