Críticas

Published on setembro 24th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Férias Frustradas

Férias Frustradas placa

Esse novo Férias Frustradas traz uma nova proposta a franquia de sucesso lançada lá no início dos anos 80. É importante fazer uma distinção a respeito de quem o filme pretende atingir. Os fãs da obra original que provavelmente irão ao cinema atrás de referências ou vivenciar nostalgia? Ou fãs de comédia convencionais pouco interessados na origem do filme? É bom avisar os saudosistas, pouca coisa oriunda daquela época será mostrada. O que vale é poder conferir Chevy Chase e Beverly D’Angelo de volta aos seus papeis que tanto sucesso fizeram. A simplicidade e a ingenuidade proposta no original dá lugar ao apelo por piadas formulaicas e humor por vezes grosseiro. Ei, eu não disse que isso é algo ruim.

Também não elogiei. O fato é que você, espectador, irá rir muito com esse filme. Ele cumpre muitíssimo bem o papel de divertir, de tirar empolgadas risadas. Faz isso a partir de uma fórmula utilizada em filmes parecidos. Felizmente esse daqui destaca-se com engenhosas sacadas, ao mesmo tempo que descamba no ridículo. Ri-se do ridículo até o ponto que o humor torna-se aborrecimento. O pecado desse Férias Frustradas reside aí: abraçar o exagero, desequilibrando o ritmo e a graça. Se uma piada dar certo, por quê não repeti-la? Por quê não estender a cena? Pra quê se preocupar com o roteiro? Pra quê se preocupar com o filme? Perceba, chega certo instante que o constrangimento reina.

E provocar constrangimento não é intencional? Sem dúvidas alguma, faz parte das intenções da narrativa. Ela quebra o ritmo intencionalmente para posteriormente investir em outros possíveis estímulos a fim de prever o comportamento do espectador. Com o fim do constrangimento, uma piada cai bem, uma gag então cai muito melhor. É por isso que o filme tem tantas gags, para criar um constante clima cômico com níveis que se intercalam. Às vezes explodem, outras vezes contextualizam. Bons atores contribuem, os ruins pouco ajudam. Ed Helms e Christina Applegate chamam atenção, mas curiosamente só funcionam sozinhos. Quando juntos, pouca coisa sai. Quando independentes, criam interessantes momentos. Já Chris Hemsworth aparece numa ponta desatinado e pitoresco.

Uma família planeja férias. O patriarca tem a ideia de atravessar o país de carro rumo a um parque de diversões. A ideia é vista com desconfiança pela mulher e filhos, mas todos acabam embarcando e as situações mais inusitadas acontecem. Essencialmente essa é a história escrita e dirigida por John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, um roodmovie recreativo, recheado de balbúrdia. Cenas como o flerte adolescente interrompido pelo pai – e vale ressaltar que o pai vivido por Helms é um caricatural embaraço –, o mergulho no lago e a visita a alguns familiares são grandes investimentos da comédia, cenas que o roteiro visou emendar. O apelo pelo humor é tão grande que nem os créditos escaparam: os iniciais, aliás, são ótimos. Os créditos finais agradam. E nesse universo funcional e lucrativo, não será estranho se essa parte da família Griswold aparecer nas telonas em breve com um novo destino. Com tanto que a diversão prevaleça, embarcaremos na viagem.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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