Críticas

Published on agosto 4th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Homem-Formiga

homemformigaPontos de vista diferem-se quando pensamos em Homem-Formiga. Em uma instância, é cada vez mais clara a pobreza cinematográfica que esses filmes vêm demonstrando com realizadores que dominam a publicidade e produções para a televisão; em outra instância, essa favorável, é preciso reconhecer a competência da Marvel em amarrar suas histórias dando dignidade a cada um de seus vários personagens. Se fosse uma série televisiva, então seria extraordinário, mas é cinema, ou pelo menos diz ser. Há quem questione isso.

Homem-Formiga encaixa-se bem dentro da lógica tola da jornada do herói. Observe a redenção do protagonista: Scott Lan (vivido por um ótimo Paul Rudd) é um homem envolvido com crimes. Após passar um tempo atrás das grades recebeu uma chance de se redimir. Essa chance consiste em cometer os mesmos delitos de antes, mas dessa vez com um traje especial. Aqui temos a lógica da redenção, do vilão ao herói. Isso fica ainda mais explícito com a presença de uma criança, filha de Scott, que vê o pai como um herói e esse precisa provar a pequena que de fato é um. A identificação do público com essa questão paternal é súbita. Roteiristas realmente conseguem ser canalhas para garantir nossa atenção usando de truques publicitários. E o que mais resta ao filme além disso? Divertir? Divertir não é insuficiente?

Resta um texto nas mãos do diretor – aqui Peyton Reed – o qual precisa ser seguido e filmado à risca. Não há espaço para qualquer outra consideração ou elaboração, o filme se torna apenas mais um produto para a rentável franquia. Vamos ao cinema e vemos um herói absurdo cheio de metáforas. Ele é capaz de diminuir de tamanho e manter sua força, o que lhe dá vantagem contra os oponentes. Esse fato previamente ridicularizado é trabalhado com naturalidade e essa ridicularização acaba funcionando a favor a partir de cenas cômicas, como exemplo a luta sobre os trilhos de um trem de brinquedo. Esse é o universo de Homem-Formiga, coerente e honesto dentro de suas rasas possibilidades.

O roteiro preocupa-se demais com explicações e alinha-se as grandes pretensões da franquia. Há constantes citações aos Vingadores, há a presença de um deles e existe um arco com potencial de ser desenvolvido para enfim esse pequeno grande herói fazer parte de um projeto maior. As ambições da Marvel são enormes e durante os próximos anos teremos muitos outros filmes com caras diferentes. E é lógico que vai dar certo. Tem um público interessado e afim de obras do gênero, mas até mesmo os fãs vem demonstrando certa insatisfação e saturação. Não dá pra culpa-los, afinal, são filmes similares. O que muda são os uniformes.

E devo ressaltar, Homem-Formiga poderia ser melhor. Digo melhor pensando em um filme que queira algo a mais do que simplesmente divertir seu público. Penso que se a obra funcionasse independentemente do universo Marvel e seus vingadores, poderia ter mais relevância e outros horizontes para vislumbrar. Mas não, engessado a algo considerado maior do que ele, termina subjugado e talvez até esquecido horas depois da projeção. Novamente, se fosse série, seria melhor. O cinema exige mais.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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