Críticas

Published on outubro 8th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Hotel Transilvânia 2

HTfotoSabe aquela sensação de que o trailer é melhor do que o filme? É possível que muita gente sinta isso após assistir esse Hotel Transilvânia 2. Explico: o trailer reúne as principais sacadas cômicas da história. Então não sobrarão muitas piadas para surpreender o público. Além do humor, há outras implicações dentro da história que vale chamar a atenção. Dessa forma, a comédia divide atenção com a mensagem final, quando a tolerância é exaltada. Mas você, espectador, poderia perguntar: então a animação não tem graça? Tem e muita! Piadas chaves são conhecidas, mas há um espiral de desdobramentos que deixa uma sensação de satisfação e um sorriso no rosto. Das animações lançadas nos últimos anos, essa é uma das que consegue reunir um grupo de personagens igualmente adoráveis. E saiba, isso não é algo simples de se fazer.

O Hotel Transilvânia está aberto. Drácula segue sendo o anfitrião e a supervisão ficou por conta de Jonathan, seu genro humano. Drácula descobrirá que será avô! É exatamente sobre a gravidez e posterior nascimento do herdeiro ‘sanguinário’ que o filme se desdobrará, na expectativa do neto ruivo ser um vampiro honrando a história da família. Mas… algumas coisas não darão muito certo. Drácula junto aos seus fieis amigos buscará de todas as formas fazer com que os dentes de seu neto finalmente apareçam. Sob o olhar desconfiado de Mavis, sua filha vampira totalmente indiferente se o garotinho será vampiro ou humano, parte numa jornada noturna recheada de situações das mais destrambelhadas.

A intolerância sempre rendeu consequências a humanidade ao longo da história. Atualmente é um dos assuntos mais debatidos. Não à toa, o filme discute o tema a partir de um personagem centenário. Não importa a época, a intolerância sempre existiu. Mas antigamente era pior? Indaguemos. Nesse sentido, há uma óbvia referência a Vlad, pai de Drácula, que segundo alguns personagens, não pode saber que sua neta se casara com um humano. Perceba também que o hotel já não recebe somente monstros. A coexistência é um triunfo e o recado do filme a partir disso é o que há de melhor.

Ainda que trate de uma animação, há uma falha lógica que incomoda: vampiros não aparecerem na fotografia. Se em um instante uma das piadas visuais visa justamente fazer fotos com a ausência dos vampiros, em outro instante fotos e filmagens os revelam. Então se o recurso fora utilizado de modo vital para uma importante piada, então o mesmo recurso não pode ser descartado e tornar-se um mero artifício dadaísta. Alguém pode se queixar que procurar por esses erros é como procurar erros de continuidade. Há diferenças entre os erros, ou melhor, entre esses equívocos. É preciso sempre se lembrar: o cinema é uma arte que envolve diferentes formas de arte, entre elas existe uma história, uma narrativa e finalmente o roteiro. Ambos precisam existir, funcionar e estar em sintonia. Hotel Transilvânia 2 não está sintonizado! Por isso é um filme razoável, ainda que divertidíssimo. Virá mais!

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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