Críticas

Published on junho 27th, 2016 | by Marcelo Leme

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Crítica: Independence Day: O Ressurgimento

IDayDá pra fazer um tipo de coleta seletiva no cinema. Pega-se o que deu certo e separa. Pega o que não deu e joga fora. Muitos filmes fazem isso. Até dizemos que há fórmulas para se trabalhar com o cinema. Absurdo! Com relação a roteiro, então, é possível encontrar passo a passos por aí. A falta de criatividade implica em recorrer a esses meios. Uma pena para o cinema. Este Independence Day: O Ressurgimento mostra o quanto um filme pode ser realizado através de reciclagens. Para seu diretor, Roland Emmerich, não há qualquer constrangimento em reutilizar tudo o que usou em seu filme de 1996. Quer dizer, nem tudo, faltou Will Smith. Mas há quem o substitua.

Simples, por vezes divertido, cheio de competentes efeitos e absolutamente raso, este seu novo trabalho é uma sequência que faz sentido se pensarmos no atual momento político americano. As eleições chegando. Então vamos hastear bandeiras e evocar heróis patriotas na telona. É mais ou menos isso. Os alienígenas retornam ao planeta Terra ainda mais ameaçadores. Se prepararam durante anos para o ataque, ao mesmo tempo em que os humanos se apropriaram da tecnologia alienígena a fim de se defenderem de qualquer ameaça; além de usá-la como tecnologia para suas criações.

Não há nenhuma construção de situações e nem de personagens. O roteiro nem se dedica a dar alguma profundidade, aí pouco nos importamos com quem são. Tudo nos é rapidamente apresentado para o mais rápido possível iniciar o que os espectadores pagaram pra ver. O pandemônio não se demora. Um personagem brinca falando que os aliens gostam de destruir alguns cartões postais do planeta. Piada apropriada. Emmerich tem no currículo verdadeiros arrasa quarteirões. Viveu altos e baixos com seus filmes-catástrofe. Agora retoma seu sucesso de 20 anos atrás visando novo êxito. Deverá conseguir com as bilheterias. O caos vende. E com invasão alienígena ainda? E com a nostalgia de parte dos espectadores a favor? Como não dar certo? É mesmo uma pena ser tão pobre e dependente do sucesso do filme anterior que, sejamos honestos, nem era grande coisa.

Independence Day: O Ressurgimento é um legítimo pipocão hollywoodiano. Tem data de vencimento. Nada oferece a sétima arte a não ser diversão pueril por 2 horas. É aquele tipo de diversão que não exige muito de seu espectador e os lota de estímulos visuais e sonoros. Tudo explode e nada diz. A mesma trilha, a mesma fotografia, os mesmos personagens com direitos a alívios cômicos calculados. Também há algumas frases de efeito terríveis. A ação é enlouquecida, mas bem dirigida. Isso permite que a experiência em assistir ao filme, em ser lançar dentro dele, funcione. Mas veja, apesar de tudo, não é uma sessão desperdiçada. Ele diverte.

Maniqueísta, frívolo e igual aos filmes que já foram clichês de outros filmes, esse é de fato mais do mesmo do mesmo do mesmo que já foi criticado por ser demasiado repetitivo. A fórmula ainda funciona.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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