Críticas

Published on junho 17th, 2015 | by Marcelo Leme

0

Crítica: Jurassic World

modeloCineemProsaJurassicSteven Spielberg, enquanto produtor executivo, trouxe uma nova concepção daquele filme que foi um marco nos anos 90, Jurassic Park. O longa foi agraciado por todos, lembram? Suas sequências, todavia, pouco empolgaram. Jurassic World então veio surgir tantos anos depois apoiado por nostalgia. Sua melodia, suas cenas que remetem ao jovem clássico, a concepção artística que opõe velho e novo e obviamente os dinossauros dão indício de um recomeço. Tocar naquilo que outrora deu certo é algo perigoso. Podemos ver por aí tantos remakes, reboots e sequências desastrosas. Em Jurassic World, para alívio dos cinéfilos e dos seus declarados fãs, ainda que o filme não detenha toda a magia de seu pioneiro, oferta com dignidade uma sequência eficiente e divertidíssima que agradará tanto os apreciadores do filme de 1993 quanto os jovens espectadores.

Jurassic World é um colossal atrativo turístico edificado sobre o velho Parque dos Dinossauros. Lá ocorrem vários experimentos e pesquisas que mantém os dinossauros vivos e cuidados, como numa enorme reserva ambiental. O roteiro se encarrega de fazer apontamentos ao antigo recinto onde o Tiranoussauro outrora imperou. Agora as coisas estão sob controle de Claire, profissional que dirige o parque e busca novos atrativos que consiga manter a média de 10 milhões de visitantes anuais. O foco da nova atração se dá com um dinossauro geneticamente modificado. Segue-se o ideal primacial da criação nesta obra em que os humanos querem brincar com a ideia de Deus e tornarem-se criadores.

A narrativa por aqui parte de incertezas da juventude, com dois irmãos lidando com expectativas relacionadas a um possível divórcio dos pais. Eles então são levados ao Jurassic World para um final de semana divertido sob a guarda de Claire (Bryce Dallas Howard). O mais jovem, fascinado por dinossauros, se entretém com a ciência por trás desses animais; o mais velho interessa-se mais pelas jovens turistas que estão caminhando pelo parque. Dentro dessa ótica entende-se as referências a vários tipos de tutelas. Em outra análise, algumas organizações do governo enxergam em alguns dinossauros uma oportunidade de se ter uma arma poderosa em futuras guerras. Eis uma vertente que deverá ser desenrolada no futuro. Desse modo, além de uma grande aventura, o filme se delonga sobre o respeito pelas formas de vida e os limites da ciência frente as vítimas de seu progresso.

Antenado a atual geração, ao contrário do clássico que prezava por desenvolvimento artístico e narrativo, aqui a coisa toda é apressada e breve. O quão ruim isso pode ser ao cinema? Muito, sem dúvida. Em Jurassic World funciona enquanto releitura daquilo que já conhecíamos, especialmente se você entender algumas de suas referências, tal como a atenção depositada nos Velociraptors. A trama se configura enquanto um exemplar de ação competente que conhece a dosagem correta para a diversão. O compromisso do filme é justamente esse: divertir e encantar. Quase vira um exercício de metalinguagem quando Claire explica sobre a necessidade de ter novidades a um público que precisa consumir inovações e surpresas colossais.

Projetivamente temos um macho alpha que precisa o tempo inteiro provar seu poderio frente a uma garota em constante perigo. Esse é Owen, vivido por Chris Pratt. A concepção de seu personagem é um ode às representações tradicionais masculinas. Isso não é um defeito do filme, é uma escolha conceitual de seus realizadores e que merece atenção. A selva é a mesma, os tempos são outros e a tecnologia parece ditar os valores. Assim o vilão do filme não é o dinossauro geneticamente alterado, mas seus criadores, os tais cientistas ambiciosos propensos a qualquer tipo de intervenção que possa render lucros. Em suma os efeitos encantam tal como era esperado e o filme empolga, ainda mais quando está próximo de seu final, em meio a um daqueles atos concebidos com finalidades épicas. É diversão jurássica!

 

Comments

comments

Tags: , , , , , , , , ,


About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑
  • ASSISTA NOSSOS FILMES DE GRAÇA

  • Parceiros

    Parceiro - Adorocinema
  • Parceiro - Centerplex
  • Inscreva-se no Youtube!