Críticas

Published on julho 10th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Meu Passado me Condena 2

Meu passado me condenaSequência de uma comédia de sucesso popular lançada em 2013, Meu Passado me Condena 2 traz de volta a dupla Fábio Porchat e Miá Mello como protagonistas. A sequência vem aproveitar o embalo do primeiro filme e também o prestígio de Porchat, um dos maiores nomes da comédia nacional. Para alguns mais conservadores essa minha afirmação elogiosa ao Porchat pode parecer uma afronta, mas ele é, sim, notoriamente, um comediante bastante talentoso, especialmente quando bem dirigido e contido. Com relação a obra, é realmente uma extensão do primeiro filme com o casal em crise devido a imaturidade do homem e as constantes críticas da mulher.

Aqui Porchat vive Fábio e Mello vive Miá. A crise conjugal os alcançou. Fábio é imprudente e mostra ser demasiado imaturo e preguiçoso, sem qualquer ambição de crescimento; ao contrário dele, Miá busca expansão profissional, porém percebe-se estagnada, pois se responsabiliza pela maioria das contas e não enxerga qualquer futuro na relação. Um acontecimento importante leva o casal até Portugal, dias em que tentarão a todo custo reatar o relacionamento estremecido em terras lusitanas, enquanto acontecimentos dos mais exagerados possíveis – acompanhados por atuações igualmente descontroladas – ditam o ritmo dessa comédia escrachada.

Passado quase que inteiramente numa antiga vila em Portugal, o filme ganha beleza arquitetônica. Também é favorecido pela paisagem bucólica rural numa terra que parece ter sido esquecida pela tecnologia, um canto rupestre com pessoas envelhecidas observando os mais jovens irem embora para os grandes centros do país. É nesse clima que Fábio e Miá se encontrarão, longe da correria das capitais e frente a perspectivas distintas de relacionamento, herança de outros tempos culturalmente machista, tal como as considerações representadas por um personagem herdeiro daquelas terras. A mulher ali vive como há dois séculos, absolutamente subjugada. Miá, independente, rompe com os paradigmas locais causando certo desconforto.

Os grandes momentos praticamente reduzem-se a essas considerações sobre a mulher e o quanto ela independe do homem para suas conquistas pessoais. Outros bons momentos dizem respeito às piadas, algumas certeiras tal como esperado, outras pouco inspiradas, forçadas atrás de algum efeito recreativo no público. Há quem rirá por ocasião inspirados pela massa. As paisagens não salvam o filme. As coincidências absurdas – a presença da dupla Wilson e Suzzana – apenas diminuem a obra. É um filme passageiro, uma esquete gigante que se prolonga a ponto de tornar-se pedante.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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