Críticas

Published on julho 6th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Minions

MinionsQuando Meu Malvado Favorito foi lançado em 2010 e subitamente estourou, muitos creditaram o sucesso às tais pequenas criaturas amarelas, os minions, personagens que funcionavam como apoio ao bom humor do filme que já contava com o carismático “vilão” Gru enquanto protagonista. Quase toda animação, ou filmes que priorizam a comédia de um modo geral, possuem um alívio cômico. Isso tem ficado cada vez mais perceptível negligenciando a naturalidade narrativa, ameaçando a fórmula tradicional que já vem demonstrando desgaste há alguns bons anos. Voltando aos Minions, fui um dos primeiros a questionar se estes personagens que funcionavam tão bem numa lógica de conta gotas dariam conta de sustentar um filme inteiro. O resultado pode ser visto atualmente nas telonas. Os Minions conseguiram ser suficientes?

Embalado por canções de Rock e passado em plena contra-cultura no final dos anos 60, a animação encontra campo para proporcionar diversão a todos os públicos, desde que estes aceitem que trata-se de um filme absolutamente recreativo e que não tem qualquer outra intenção a não ser divertir. O trio central – Bob, Stuart e Kevin – são incumbidos de encontrar um mestre para que todo o grupo possa segui-lo. As passagens temporais que exploram diferentes contextos históricos com os Minions atrás de um líder são feitas de maneira breve e leve, levando inevitavelmente a previsão conhecida: o futuro deles pertence a Gru. Mas Gru estará nesse filme? Aqui não importa os fins, mas os meios. Os meios dão base ao roteiro simplório. Simplório por que a história é absolutamente rasa. É apenas um filme de personagens.

Os Minions com suas gags e seus trejeitos são explorados a exaustão, fazendo com que alguns momentos soem repetitivos e até mesmo aborrecidos, enquanto outros momentos, pendentes a um teor mais satírico, se destaquem. Nem a Rainha da Inglaterra escapou da zoeira. A falta de desenvolvimento do trio é uma consequência inevitável da pouca profundidade dedicada a ambos. É difícil rir sempre da mesma piada, então o solução é fazer a piada ser os outros. Daí provém as sátiras e as referências. Já a interação entre os três é o que mais chama a atenção, a anarquia compartilhada reforça o dinamismo da história.

O fato é que os Minions deram conta, sim, de sustentar o filme. Faltou a eles uma história minimamente razoável – e torço para que uma continuação não aconteça para que suas relevâncias não corram o risco de se extinguir –, todavia o carisma e a recreação proporcionada por essas simpáticas criaturas que andam enfeitando quartos infantis foi o bastante para sairmos do cinema satisfeitos com o que fora projetado, tendo certeza de que as crianças, sem sombra de dúvidas, divertiram-se demais. E os adultos, por mais sisudos que possam ser, em algum instante esboçaram algum sorriso diante o caos que veste macacão jeans.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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