Críticas

Published on novembro 9th, 2014 | by Lais Queiroz

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Crítica: Miss Violence

modeloAltereamissviolenceNos últimos anos, a Grécia tem ganhado espaço na área cinematográfica. Isso é facilmente perceptível com sua participação nos festivais de renome. Esse ano, por exemplo, filmes como Meteora (2012), O Retorno da Artígona (2013), e Em Casa (2014) participaram da 38ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo. Além disso, Dente Canino, de Yorgos Lanthimos, e O Garoto que Come Alpiste, de Ektoras Lygizos, foram indicados em 2013 ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro.

Suas produções atuais fazem parte do que os críticos chamam de ”Novo Cinema Grego”. Nesse contexto, as obras deixam seu caráter clássico e bucólico e passam a retratar assuntos do âmbito social, como a maldade humana e a atual crise econômica.

Miss Violence, filme premiado em 2013 no Festival de Veneza, chamou atenção dos espectadores pelo seu clima tenso e por sua forte crítica social. A obra é dirigida por Alexandros Avranas e trata, de forma crua, relações sociais problemáticas que estão presentes não só a Grécia, mas também no resto do mundo. Como, por exemplo, o controle abusivo da figura patriarcal.

O longa retrata uma família de sete pessoas. Os avós, pais e crianças estão reunidos para comemorar o aniversário da pequena Anggeliki. Logo de início o espectador percebe que não se trata de uma família normal. A expressão facial dos personagens, os planos-sequência e a ausência de cores vibrantes deixam tudo mais interessante, introduzem o público à estranheza que está por vir.  A parte inicial do filme, o ”prólogo”, é marcada pelo suicídio da aniversariante. Com a tragédia, a trama se desenvolve.

Há vários momentos de tensão com as visitas dos assistentes sociais, determinados a investigar o suicídio de Anggeliki. Também existem fortes conflitos entre os membros da família, que buscam voltar à vida normal após a morte da garota. Além disso, tudo é agravado pela crise financeira. No filme, a figura paterna sofre com o desemprego e luta para conseguir um trabalho, com a idade já avançada.

Nada é explícito até quase uma hora de filme, as perguntas feitas pelo espectador são respondidas aos poucos, de forma bem subjetiva. A câmera posicionada entre as paredes e frestas de portas realça as suposições.

Alexandros Avranas combina temas como violência doméstica, incesto e escravidão com os planos fechados, ausência de trilha sonora e cenários claustrofóbicos, passando com eficiência a sensação de incômodo para o público.

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Lais Queiroz

Estudante de Publicidade e Propaganda na PUC Minas - Poços de Caldas. Apaixonada pela área Audiovisual, cinéfila desde quando se conhece por gente.



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