Críticas

Published on maio 6th, 2014 | by Marcelo Leme

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Crítica: O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

EsboçoAltereahaO Homem Aranha ganhou mais um filme! E este é mais envolvente que seu antecessor, O Espetacular Homem-Aranha (Amazing Spider-Man, The, 2012). O diretor Marc Webb investiu pesado na ação, os efeitos fulminaram as atuações e o senso lógico, transformando a obra cinematográfica em uma experiência de vídeo game. Sam Raimi parece seguir fazendo falta. Bem, não tanto considerando o terceiro filme de sua trilogia. Mas essa é outra história! A coisa toda mudou, ou melhor, ganhou um novo viés apresentando um romance díspar e vilões diferentes. O herói também está mudado. A franquia irá muito longe ainda, mas certamente caminhará sem robustez, já que é notável o quanto está seguindo um caminho mais despreocupado, ligando-se unicamente a um ideal de diversão comercializável. Coloquem o aranha lutando e pendurado em teias em 3D, isso parece ser o bastante para vender alguns ingressos. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro – título imenso e vil – não é assim uma nova aventura do Homem-Aranha, mas uma nova comédia em que ele é exposto com picaretagem e mesquinharia.

É piada demais para filme de menos. Claro que isso é uma queixa particular, pois vai do interesse do espectador apreciar exaustivas gozações. Peter Parker, ao meu ver, torna-se chato num longa próprio fazendo do herói um boçal. Há melodrama, toda uma carga pesada de compaixão a respeito de ligações do passado com os pais, ou a situação com a namorada Gwen Stacy (Emma Stone), já que todo o tempo enxerga o fantasma do pai da moça aconselhando-o a não colocá-la em risco. Daí provem um grande acerto da narrativa, uma decisão corajosa que provavelmente dará um novo segmento a prováveis sequências. Aproveitar isso e converter o filme num longa de ação mais cerebral faria muito bem as pretensões da obra. O Homem-Aranha é, sem dúvidas, um dos heróis mais queridos e populares. É também um dos mais prejudicados em termos de história dentro do cinema. Aqui ela é explorada brevemente num epílogo, sendo retomada economicamente em breves cenas cheias de elipses temporais.

O ator Andrew Garfield é bom, consegue empregar carisma e bravura. O filme, por sua vez, não se presa a trabalhar a personalidade de seu protagonista, o roteiro pouco investe na pessoa Peter Parker. Este duela tempo de cena com o próprio Homem-Aranha que a seu favor tem o heroísmo e efeitos especiais. Sem lucidez e coragem de fazê-lo mais digno, o novo filme do aracnídeo peca pela pieguice, fora o mal aproveitamento dos vilões. Esses tem motivações estapafúrdias, todas apresentadas e mastigadas pelo roteiro pouco inventivo. E vale mencionar que todos são vividos por grandes atores. O Rhino do ótimo Paul Giamatti é constrangedor; Jamie Foxx emprega alguma dignidade ao Electro, mas é sabotado pelo texto ruim que deixa-o instável; e o talentoso Dane DeHaan imprime vigor ao Duende Verde, porém não possui muito tempo para mostrar a que veio. Já as Easter Eggs são definitivamente interessantíssimas, no entanto notadas apenas pelos fãs.

Condicionado para ser um projeto de pura diversão, O Espetacular Homem-Aranha 2 agrada por se aproximar das HQs. Um tiro certeiro. Ele de fato diverte com as longas cenas de ação. Em contraponto a expectativa, vem o ato final surpreendente para aqueles que desconhecem as HQs e as expectativas que rolavam pelas redes sociais e sites especializados. A mudança abrupta de tal acontecimento é uma quebra de ritmo vital, funcionando para espantar o público diante a leveza e descompromisso que a trama era conduzida. Com um visual impressionante e colorido, a obra se configura como um exemplar competente de um gênero cansado. É desequilibrado aos esboçar vários assuntos, concluindo muitos apressadamente apesar da longa duração. Marc Webb leva jeito com romance, mas ainda não descobriu o tom de seu herói para estigmatizá-lo no imaginário popular tal como Raimi conseguiu fazer.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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