Críticas

Published on agosto 26th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: O Pequeno Príncipe

modeloCineemProsaopequenoprincipePrimeiramente, devo dizer, este filme não se trata essencialmente do Pequeno Príncipe. Mas o quê? É isso mesmo, está distante da obra prima de Antoine de Saint-Exupéry. Mas é uma adaptação e você mesmo é um dos que mais defendem as adequações das linguagens. Alguém poderia me questionar e é exatamente esse o ponto o qual gostaria de chegar.  O Pequeno Príncipe é uma livre adaptação, cria um outro universo em cima da obra que tão bem conhecemos da literatura. Há outras implicações, todas elas carregadas com sensibilidade e relevância, coisas que em nenhuma hipótese poderiam ficar de fora de qualquer obra desejosa em trazer aspectos da história do aviador e seu encontro no deserto.

Ainda que não seja a história fiel de O Pequeno Príncipe, essa versão é belíssima. Belíssima em vários quesitos, tanto pela técnica – uma proximidade dos desenhos da DreamWorks é facilmente notável – quanto pelo texto, significativo, leve e sublime, capaz de alcançar crianças e adultos; e roubar lágrimas dos fieis fãs da obra original. O filme é um aprendizado, um aprendizado que provavelmente não seja tão compreensível pelas crianças, imaginado público alvo da animação. Não importa, fará algum sentido a elas também, afinal, é uma fábula e tem diferentes maneiras de ser compreendida. Então que cada um fique com a sua maneira de aprecia-la. Ou entende-la.

Dirigido pelo animador Mark Osborne, de Kung Fu Panda (Kung Fu Panda, 2008), essa versão traz uma garota cuja rotina é controlada pela mãe. É uma criança que tem a vida planejada e que é proibida de sair do caminho traçado pela matriarca. Acidentalmente uma hélice estoura sua parede. De onde veio? Seu vizinho, um homem que está reformando um velho avião causou o acidente. Um acidente que mudou completamente a dinâmica de vida da pequena que passou a investir sua curiosidade sobre aquele velho homem com histórias mirabolantes, entre elas a de um pequeno Príncipe. É o ponto de partida de uma amizade acidental que se desenrola de maneira similar a história de Saint-Exupéry. Veremos então todos aqueles grandes personagens reconhecidos surgirem aleatoriamente juntamente a famosas passagens versadas.

A principal consideração sobre essa obra é a estilização do universo do pequeno príncipe, quando este é contado na história. A animação muda, converte-se num stop-motion feito com papeis, deixando a imagem incrivelmente bela, diferenciando esteticamente os diferentes universos. O visual é fascinante. E o que, talvez, levante algumas queixas, está reservado no terceiro ato do filme. O reencontro com o pequeno príncipe pode ser frustrante para muitos. O que aquele jovem menino loiro tão doce e cativante se tornou? Para as pretensões da narrativa, acaba suscitando uma estranheza pessimista. É uma estranheza bastante conveniente em tempos atuais, uma crítica contemporânea bem apropriada. Sutil, é essencial aos olhos, aos ouvidos e ao coração.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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