Críticas

Published on janeiro 24th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Operação Big Hero

modeloAltereaoperacaobigheroOperação Big Hero é, sem dúvidas, a animação da Disney que mais se aproxima das realizadas pelo cultuado estúdios Pixar. Há quem lembre, numa breve espiada, de Os Incríveis (Incredibles, The, 2004). A lógica é outra, mas não dá para culpar tal lembrança, o visual e a dinâmica fazem justiça a memória. O capricho técnico juntamente aos vários e divertidos personagens cujas caracterizações lhes empregam objetiva profundidade, ainda que sejam levemente estereotipados, provoca imersão a um cenário mágico através de experimentos científicos. A ciência está em voga. Há ainda um personagem central, o típico fofo necessário que visa empatia. Esse deve ser exaltado: sua presença não funciona como a de um alívio cômico tradicional e muitas vezes descartável,  sua presença é de vital relevância para a narrativa. Falo de Baymax, que deverá ganhar uma linha de bonecos. Ele naturalmente rouba a cena, contribuindo fatalmente para a carga dramática da animação fazendo dela ainda melhor.

Centrado basicamente em dois irmãos intelectualmente brilhantes que investem seus conhecimentos em ciência, o filme questiona arbitrariamente as possibilidades dessa, bem como alguns riscos que  envolvem o desenvolvimento tecnológico. A preocupação do roteiro não se dá em desenvolver pensamentos ou explicar teorias, mas usá-las como argumento para a série de eventos que perpassa desde morte a desaparecimentos em máquinas do tempo. Dito isso parece mirabolante demais para existir em uma animação cujo principal público é, indubitavelmente, o infantil. É exatamente a falta de profundidade desses assuntos que traz leveza, funcionando como inspiração aos pequenos, para aqueles que chegam em casa saltitantes após presenciarem algum experimento empolgante nas aulas de ciências.

E sendo a morte um assunto complexo o qual a ciência racionaliza, esta é tratada em Operação Big Hero com certa naturalidade – um acerto memorável do roteiro –, nunca com qualquer forma de superstição. Há outros interesses,  tal como legados àqueles que ficam. Essa é a motivação do protagonista, Hiro Hamada, que concebe um experimento revolucionário que termina disputado pelos interesses de distintas corporações. Há preço por tudo o que é feito! Essa é uma moral que a animação não exita em afirmar. Nesse percurso, com os adventos científicos ao melhor estilo das indústrias Stark,  um grupo de jovens equipados com equipamentos tecnológicos poderosos precisam salvar o mundo. Ou melhor, salvar os feitos da ciência.

Nas várias investidas de ação – essas são bem recorrentes em todo o filme – há uma agitada cena que faz referência a Toy Story – Um Mundo de Aventuras (Toy Story, 1995). É impossível não lembrar. O humor condizente a história bem narrada vem reforçar o ideal de um filme família, cujo entretenimento nunca é leviano e não sente qualquer pudor em querer fazer com que o público emotivo derrame lágrimas. E vale ressaltar novamente Baymax, o dono do filme, personagem cuja relevância não se dá unicamente pela fofura ou pela série de gestos paternais, ou pelo acontecido com o responsável por sua concepção, mas pela ideologia do cuidado, do olhar pelo outro, coisa que deve permanecer em qualquer experiência, especialmente na experiência de viver.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



One Response to Crítica: Operação Big Hero

  1. Ceejay says:

    Só um detalhe o filme Big Hero 6 que no Brasil é Operação Big Hero produzido pela Walt Disney Animation Studios, não foi feita ligada diretamente à Pixar, na verdade ele tem traços da pixar porque eles quiseram colocar um “tempero” na animação.

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