Críticas

Published on janeiro 17th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Ouija – O Jogo dos Espíritos

modeloAltereaouijaOuija – O Jogo dos Espíritos é um daqueles filmes absolutamente triviais! Sua trama frágil é uma compilação de filmes de terror com espíritos. Nada oferece de novo, a não ser os atores. Tem um início pouco envolvente – apesar do uso de crianças – e uma conclusão que, talvez, funcionaria se tivesse conseguido, minimamente, transmitir a sensação de perturbação prometida. Fala de um jogo, o tal Ouija, e do que acontece quando pessoas desafiam jogá-lo. O roteiro foi escrito por 6 mãos: Juliet Snowden, Simon Kinberg e Stiles White. Esse último também é o diretor e sua filmografia nem vale a pena ser comentada.

Bem, uma vez desafiado, o espírito precisa jogar. Comento isso pois, quando tal fato é levantado notamos que chegamos a um ponto em que o roteiro já havia tentado de tudo, evidenciando o pouco interesse narrativo com relação a sua proposta. Isso tornou a obra um relés entretenimento de férias para adolescentes que nunca assistiram filmes do gênero e acham que precisam gritar ainda que nada tenha os estimulado para tal comportamento.

O filme faz bem o uso da iluminação e de engenhocas técnicas que visam sobressaltos em vários e espaçados instantes. Brinca com espelhos e com sombras, também abusa de luzes repentinas que denunciam presenças inesperadas e utiliza graves sons pesados durante a penumbra preservada pelo silêncio. Além disso, é perceptível que no roteiro transcorre o desejo de ser também um filme sobre casas mal assombradas. O jogo dos espíritos do título nacional perde o foco e o tabuleiro Ouija torna-se mais um objeto cênico, ainda que nada coíba sua relevância para a série de eventos paranormais que se desenrolam. O filme servirá, quem sabe, para inspirar alguns adolescentes brincarem com jogos análogos e condenarem as noites daqueles mais supersticiosos ou impressionáveis.

Mas vejam só, o filme não é nenhum desastre! É que incomoda perceber que trata-se de apenas mais um dentro de um gênero inquestionavelmente gasto que pouco consegue ofertar. Às vezes aparece um Invocação do Mal (Conjuring, The, 2013), mas a maioria pena para conseguir ao menos chegar aos cinemas. Incomoda ainda mais a despreocupação dos realizadores ao pretender fazer cinema. Aqui ligam passado e presente, fotografias e reportagens de jornal, asilamentos e consequentemente chega a uma personagem cuja existência é justificada para a reviravolta imprecisa. Clichê. A direção é quase inexistente, apoia-se na fotografia convencional a fim de conquistar os objetivos de causar qualquer desconforto no público. Há métodos práticos seguidos a risca para isso. E os personagens? Alguém conseguiu ter empatia por algum? É improvável. São produtos do convencionalismo da trama. Notem, por exemplo, as escolhas óbvias da protagonista quando os amigos vão jogar pela primeira vez. A mesa prontamente e assustadoramente iluminada faz da protagonista uma cúmplice. Ora, talvez até seja.

Ouija saiu numa época errada. Funcionaria melhor há 15 anos atrás. O baixo orçamento, todavia, favorece o lucro, já que há uma legião de espectadores interessados em obras análogas. Em pouquíssimo tempo, tal como costumo dizer quando assisto filmes dessa natureza independentemente de gênero, será esquecido. Se em alguns anos surgir um outro filme cujo título referencie Jogo dos Espíritos, é provável que ninguém lembre-se desse como menção. Nem eu que escrevo esse texto deverei me lembrar. Bem, aproveitando a fase e o progresso comercial, talvez este Ouija até consiga alguma sequência, talvez essa sequência até consiga ir para os cinemas. Mas o esquecimento é o triste fim de filmes que pouco fazem em pró da arte cinematográfica. É o destino desse aqui.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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