Críticas

Published on junho 1st, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Poltergeist – O Fenômeno

modeloCineemProsaPoltergeistCom os anos percebemos que questionar a qualidade de remakes comparando-os aos originais não vale a pena. Vale mais questionar a obra independentemente. E esse Poltergeist: O Fenômeno, remake da versão de 1982, parece muito mais um filme de ação do que um longa de horror propriamente dito. Não que não tenha cenas que vez ou outra causem um certo suspense, mas percebam que essas mesmas estavam nos trailers. Dessa forma, de novidade, pouca coisa sobra além das habituais tentativas de susto, uma casa mal assombrada e uma família em constante perigo.

Levantei o fato de que parece bem mais um filme de ação. Volto a afirmar e creio que você também perceberá isso. Tudo o que acontece de mais importante origina de cenas exponenciais, as mais badaladas rendem destruições. Rendem correrias, heroísmos, condutas duvidosas, tudo dentro do pacote feito para – tentar – impressionar. Mas não impressiona, chega a aborrecer. Aborrece por se desprender do legítimo horror, especialmente quando vinculado a um filme que no passado conviveu com superstições devido ao que ocorrera com a pequena protagonista.

As cenas visam salientar o contexto onde a família foi morar. Cercada por fontes de energia, a clássica cena da televisão ganhou uma boa desculpa para acontecer. Entram em cena celulares, computadores e drones, tudo para preencher o cenário e justificar cenas posteriores. Há uma cena verdadeiramente interessante quando uma das crianças controla o drone, assim vemos a partir da ótica da câmera instalada nele a chegada de um personagem determinante para as conclusões da obra. Mas é bem difícil digerir algumas de suas soluções: a compra desse drone, por exemplo. Definitivamente falta conteúdo na maioria dos filmes de horror.

De resto sobra uma família prejudicada pelo desemprego obrigada a ir morar com os filhos na periferia. Obviamente o local guarda alguns segredos. O patriarca é vivido por Sam Rockwell, ator que sempre considerei competente e versátil. Ele dedica-se completamente ao seu personagem, mas tem pouco material para fazê-lo ir além de caras e bocas. O filme é limitado a sustos e cenas fáceis, sempre buscando trabalhar expectativas e é constantemente impulsionado por trilhas sonoras pesadas, tal como a maioria dos filmes do gênero. Em seu ritmo caloroso e ágil, assistimos lapsos de terror entre raras oportunidades de sustos, efeitos com sombras e brinquedos. Brinquedos de palhaços. Ah, sempre eles.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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