Críticas

Published on agosto 12th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Quarteto Fantástico

quartetoCom certeza não há nada que eu possa dizer que já não tenha sido dita por qualquer um que tenha escrito sobre esse Quarteto Fantástico. A única consideração verdadeiramente relevante diz respeito a polêmica direção de Josh Trank que vem questionando publicamente a produção desse seu filme. Alguns também estão dizendo que o filme parece ser mais uma extensão de sua obra anterior, o interessantíssimo Poder Sem Limites (Chronicle, 2012). Será? Discordo em absoluto. Se fosse uma extensão, teríamos ao menos um filme que seguiria alguma inventividade e não esse trabalho em que todos os aspectos soam absurdamente medíocres. O que funciona aqui? Nada, nem os atores parecem interessados no projeto.

Entendemos o viés buscado por seu diretor. Quando a narrativa ainda não tinha sido desenvolvida a ponto de entendermos que este é apenas mais um filme de herói, estava funcionando. Um primeiro ato com o núcleo de relações entre amigos deslocados de seus meios de convivência, ainda que repaginado, dava algum brilho a projeção e prometia, talvez, se embasar em formulações científicas e discorrer sobre seu fascínio. Quando então o acidente acontece, somos castigados pela transformação de seus protagonistas e o filme torna-se mais uma – nesse caso, imbecil – grande produção similar às que estreiam mensalmente atrás de grandes públicos.  Que dó do cinema!

E muitos podem questionar: o foco não é o Quarteto Fantástico? Então o foco são os heróis. Sim, a princípio o foco é ressaltar a formação desse grupo de potenciais heróis, mas o conceito não precisa ser tão displicente com o público, testar sua inteligência como faz usando de fórmulas idênticas às usadas em produções similares. Isso não é cinema, é outra coisa. Particularmente meu interesse em assistir a esse filme era justamente a escalação de seu diretor.  Segundo suas declarações, sofreu e enfrentou o que centenas de jovens cineastas – inclusive alguns brasileiros – sofrem em Hollywood: a impossibilidade de criar ou inovar com suas artes devido a uma indústria escassa de ideias e que lança grandes produções descartáveis em larga escala visando lucro.

Pensando ainda na conclusão tirada pelos críticos que compararam Poder sem Limites com esse Quarteto Fantástico, entendo que a similaridade se dá pela descoberta do poder por jovens. No filme anterior haviam consequências a partir do descontrole desse poder, o que implicava em metáforas da juventude. Aqui a coisa toda, principalmente a partir da ótica do vilão, parece apontar a uma espécie de gozo pelo poder, o desejo manifesto pela autoridade sobre os outros. Aí o maniqueísmo toma conta do filme uma vez que temos quem possa enfrentar o tal vilão. E a partir daí não há muito a se acrescentar, a não ser que você nunca tenha visto um filme sobre super-heróis na vida. Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell e Toby Kebbell entraram numa furada. Quarteto Fantástico não deu certo antes e conseguiu a proeza de piorar.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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