Críticas

Published on fevereiro 9th, 2015 | by Lais Queiroz

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Crítica: Respire

modeloAltereaRespireMélanie Laurent provou que não só atua, mas também dirige maravilhosamente bem. Após interpretar Shoshanna – sua atuação mais marcante – em Bastardos Inglórios, a artista dirigiu o filme Respire, lançado em 2014.

Respire (ou Respira) trata sobre uma adolescente de 17 anos que enfrenta desafios comuns da idade, como relacionar-se com os pais e colegas de escola. A vida pacata de Charlie (Joséphine Japy) muda com a chegada da nova aluna Sarah (Lou de Laâge), uma garota extrovertida e cativante, o oposto da protagonista. Como de se esperar, as garotas se tornam amigas rapidamente. Somos apresentados a várias cenas que fortalecem, pouco a pouco, o vínculo entre as garotas. É visível o efeito que Sarah causa em Charlie. Há uma mistura de admiração e acanhamento da personagem principal pela novata.

A relação entre as meninas sofre várias oscilações durante o filme. Com o tempo, percebemos que Charlie é provocante. Críticas severas, mentiras e deboches são recorrentes. Sarah aguenta tudo calada, não se imagina longe da amiga e cria esperanças de que no final tudo irá se resolver. Ela está presa.

O interessante é que a situação em que Charlie se encontra do meio para o final do filme é ‘’pressentida’’ logo no começo da obra. Há uma cena em que o professor aponta a seguinte questão: ‘’A paixão é um caminho ou um obstáculo à liberdade? Quando estamos apaixonados somos mais, ou menos livres?’’, também percorre Platão, Nietzsche e a noção de excesso. A discussão, portanto, não foi colocada à toa.

Mélanie Laurent dirigiu com esplendor. As personagens são fantasticamente desenvolvidas. Sentimos as angústias da protagonista como se fossem nossas e ao mesmo tempo somos encantados pela beleza e carisma da coadjuvante. A mudança de atmosfera ao longo do filme também é algo notável. O começo da história é leve e até mesmo encantador, podendo ser facilmente relacionado com Azul é a Cor Mais Quente (de Abdellatif Kechiche), tomando como base a personalidade das garotas e a forma como se aproximam. Porém, com o passar dos minutos, o clima fica mais pesado. Podemos nos lembrar de Depois de Lúcia (Después de Lucía, 2012), de Michel Franco, que trata de temas como problemas da adolescência, bullying e tortura psicológica.

Respire é, portanto, um filme que merece ser visto. Traz consigo todo o charme do cinema francês, uma história para refletir e um final extasiante.

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About the Author

Lais Queiroz

Estudante de Publicidade e Propaganda na PUC Minas - Poços de Caldas. Apaixonada pela área Audiovisual, cinéfila desde quando se conhece por gente.



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