Críticas

Published on dezembro 19th, 2016 | by Marcelo Leme

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Crítica: Rogue One: Uma História Star Wars

rogue-one-avImediatamente após a sessão terminar, considerei Rogue One o maior exemplo do que significa ser um caça-níquel no cinema. A pergunta para se chegar até esta consideração foi a seguinte: o filme tem alguma serventia para o universo Star Wars? A resposta não demorou: sim, tem serventia, mas não é tão relevante. Dito isso, Rogue One não acrescenta nada significativo à série. Oferece algumas respostas e inclui discursos provocadores. Creio que sua existência seja oportunista, mas sua validade não é questionável. É um bom filme com algo a dizer. É bem verdade que a primeira metade arrastada é sofrível, mas tem uma segunda que honra o legado de Star Wars, logo após a aparição de uma figura ilustre que toma toda a atenção e melhora a história e seu ritmo. Tá no trailer!

Se pensarmos Rogue One como algo independente – seu subtítulo diz ‘uma história Star Wars’ –, então esta ganha validade separada da franquia, já que funciona bem como obra insubordinada, todavia, note, os melhores instantes são aqueles que se ligam aos personagens que tão bem conhecemos. A nostalgia é a muleta que guia nosso interesse pela proposta deste novo filme do cineasta Gareth Edwards, diretor de Godzilla (Godzilla, 2014). Nenhum personagem novo é tão interessante o suficiente em seus arcos particulares. Já simbolicamente, são bem pertinentes. Jyn Erso, a protagonista vivida por uma não tão feliz Felicity Jones, raramente empolga. De qualquer forma é bom ver uma protagonista feminina dentro da franquia, similar a Rey em Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens, 2015).

Com um roteiro cujo ritmo frustra por ter uma primeira hora pedante e esquemática, lotada de humor frívolo e ação tímida, somos levados a acompanhar a história de Jyn Erso, com o passado e presente da garota, e as implicações de seu percurso no período que divide A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança. Adentro a essa concepção, acompanharemos um grupo rebelde com planos de roubar os planos da Estrela da Morte, desafiando a hegemonia ascendente do Império e de Darth Vader. A aparição do antológico personagem é um deleite aos fãs. O roteiro sofre para apresentar seus personagens e consolidar Jyn como heroína. Esse é o desafio de qualquer filme. E este tem dificuldade dobrada por estar sob a sombra de algumas figuras já alicerçadas no imaginário popular desde 1977, com o lançamento do episódio IV. Constantemente somos pegos recordando personagens e onde eles estão(riam).

Também é bom perceber algum diferencial narrativo quando este roteiro permite-se se lançar a uma ação que foge do padrão visto sete vezes no cinema, tornando-se um filme essencialmente de guerra, mas ambientado no espaço. A elaboração dos recintos povoados e das zonas de combate, por exemplo, são vigorosas. Aí funciona divinamente.

Funciona por justificar funções particulares e por tentar se distanciar da lógica reconhecida da franquia, visando ser minimamente original, evitando comparações temáticas, apesar de contar com algumas recorrências persistentes, tal como a relação entre pais e filhos. Parece uma obsessão! Jyn evolui apesar de Jones manter uma imutável expressão e ganhar destaque somente graças aos seus diálogos e frases que ilustram suas motivações, como aquela em que nega olhar para o alto e ver qual bandeira impera. E não é falta de talento da moça, pois ela já provou ter. É problema de direção! Forest Whitaker e Mads Mikkelsen estão igualmente comprometidos. E o talentoso Diego Luna, que vive o Capitão Cassian Andor, parece a escolha ideal para encarnar um rebelde, personificando uma espécie de imigrante com ideologias políticas desdobradas com orgulho junto a dois asiáticos – entre eles um cego quase místico – e um árabe. E que hora, em? Trump acabou de ser eleito. Junta-se ao grupo de rebeldes um robô, K-2SO, que é um imigrante entre os outros de sua linha de programação. Por assim dizer, Rogue One é um símbolo da resistência contra a opressão. E dá-se muito bem ao assumir isso.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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