Críticas

Published on maio 8th, 2014 | by Marcelo Leme

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Crítica: Sete Dias com Marilyn

O filme celebra uma verdadeira diva doEsboçoAltereasetedias cinema, Marilyn Monroe, contando um pouco de sua vida, seus jeitos, seus medos e seus amores – não em plena essência. O conceito diva se aplica perfeitamente a esse ícone. Não se trata de uma biografia, longe disso, mas de aspectos relacionados a uma fase da atriz, seu deslumbramento, doçura contagiante e conveniência ao seu inteligível papel na sétima arte. A irresistível persona da loura ganha a forma de Michelle Williams que a encarna com vigor e respeito. Baseado em dois livros de Colin Clark referente às suas memórias, acessaremos um lado diferente da atriz, longe do glamour e idolatria as quais tão bem conhecemos, mas sim de sua condição íntima, com sofrimentos naturalmente humanos.

O charme vigente persiste e ronda toda a narrativa, no entanto, o que acompanharemos de início é o progresso de Colin Clark (Eddie Redmayne) para seguir carreira cinematográfica. Sua paixão pelo cinema era veiculada a nomes de alguns grandes realizadores, entre eles estavam Laurence Olivier e Alfred Hitchcock. A produtora do primeiro contrata Clark para dar assistência durante filmagens de um novo longa, O Príncipe Encantado, que traria Monroe como protagonista e o próprio Olivier dirigindo e atuando. Aí tudo muda! Não termos acesso a verossimilhança dos fatos originais quando intimidades nos são expostas. É um relato, um alguém contou ou ouviu falar.

Uma vez participando da produção, Colin Clark concretiza seu sonho ao lado do ídolo, Laurence Olivier (Kenneth Branagh). O roteiro de Adrian Hodges busca tratar com cuidado e sem pressa os supostos eventos daqueles tempos, desde as turbulentas vivências nas filmagens – atrasos e esquecimento de falas por parte de Monroe – até o romance febril entre ela e Clark. Nesse meio, vários personagens se somam, entre eles estão Arthur Miller (Dougray Scott), Sybill Thorndike (Judi Dench), Milton Greene (Dominic Cooper) e a eternizada Vivien Leigh (Julia Ormond). A direção sem tanta classe é de Simon Curtis.

Dentre notáveis constatações, é inegável que o filme é de Michelle Williams, seu provável mais importante trabalho que lhe rendeu consideráveis indicações e premiações. Comparações entre ela e Marilyn são inevitáveis, mas serão necessárias? A energia da narrativa está justamente na atuação, em sua estrela cintilante. Williams trabalha bem, dá dignidade e explora com desenvoltura a lascívia desinibida da loura ao passo que não se distancia de sua vulnerabilidade frente a algumas situações.

Nesse cenário, retoma-se uma grande fase do cinema bem como algumas de suas mais importantes personalidades. É pra fazer qualquer cinéfilo se deleitar, embora o roteiro não enfatize nada e tampouco seja tão atrativo como se supunha. É uma produção com potencial considerável em vários âmbitos. Desta forma, com tão pouco a dizer, o que vale mesmo é o acompanhamento sugerido pelo livro de memórias para nos aproximarmos de quem realmente foram as figuras presentes. E Michelle Williams – novamente é importante frisar – com sua beleza estonteante e seus notáveis atributos físicos remetem diretamente a Marilyn Monroe e seu inesgotável encantamento. Aos fãs de ambas as loiras, é imperdível.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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