Críticas

Published on setembro 9th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Ted 2

ted2Ted foi uma surpresa arrebatadora. Ted 2 é uma conveniência aborrecida. Eu poderia concluir por aqui, mas preciso justificar. Seth MacFarlane com suas piadas ácidas e escrachadas aposta completamente em seu urso incorreto nessa continuação e erra a mão. Erra a mão por ser basicamente uma extensão daquele primeiro ótimo filme. A novidade ficou no passado e agora perdeu a força. Não há uma eficiente construção narrativa, a não ser direcionamentos à deriva, a todo canto em que pode-se inspirar qualquer piada. O filme é orientado por piadas. Aí não é filme, são esquetes, ou episódios de uma série. Nossa interação com o universo retratado acaba sendo a expectativa pelo próximo deboche.

Nessa sequência, igualmente recheada por sexo e drogas, logo somos apresentados as atuais condições de seus personagens: Ted está se casando e John (Mark Wahlberg) está sozinho. Tempos depois o casamento de Ted entra em colapso e o filme se delonga. Ted quer ter um filho junto a Tamy-Lynn, mas ele é incapaz. Ele precisa de um doador para a inseminação e vai atrás de seu ídolo. Assistiu ao primeiro filme? Pois bem, Flash Gordon (Sam J. Jones) retornará.

Há temas bastante sérios nessa história, entre eles destaca-se a busca por direitos civis igualitários. Os Estados Unidos não é exatamente um grande exemplo para o mundo e MacFarlane sabe disso. Ted busca por esses direitos, uma vez não ser considerado humano. O roteiro visa essa temática e é desenvolvido com várias cenas que de alguma forma levantam essa questão. Quase todas elas são satirizadas. O que o espectador verá, então, é um filme de comédia sabidamente escrachada, sem dosagem e sem preocupações.

Sai Milas Kunis, entra Amanda Seyfried. Nesse ponto melhorou, ainda que ambas as garotas não tenham lá muita função, a não ser serem rostos bonitos num cenário de humor pervertido. Dois ou três diálogos reservam bons momentos a Seyfried. Fica nisso. A dinâmica do roteiro é mesmo a interação entre Ted e John, essa relação absurda que claramente diverte Mark Wahlberg. Mas vejam, nem ele escapa de piadas, ao menos o diretor foi bastante cruel ao coloca-lo pra tomar um verdadeiro banho de sêmen. É o tipo de coisa que acontece no filme. Se você se diverte com isso, então irá adorar Ted 2.

Os horizontes estão abertos nessa continuação. A viagem nerd de MacFarlane chega ao ápice quando coloca seus personagens no meio da Comic-Com, entre uma perseguição e cosplays desfilando. Sem parar por aí, ainda se alça no meio dos tribunais enquanto sátira, herança de uma bagagem cinéfila e de séries que certamente assistiu. Todavia, tudo é raso demais, sendo mais um amontoado de referências para seus fãs pescarem do que uma elaboração cinematográfica. É nesse ponto que erra a mão, por fazer do filme uma mera extensão, assemelhando-se muito mais a uma série do que cinema. Ted 2 está desorientado, cheio de deboches e com conteúdo esparramado.

Há uma cena deslocada que merece menção: Liam Neeson aparece e rouba o melhor momento do filme. Boa, MacFarlane.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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