Críticas

Published on abril 4th, 2015 | by Marcelo Leme

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Crítica: Velozes e Furiosos 7

modeloCineemProsaVF7Ao final da sessão desse Velozes e Furiosos 7, é impossível não deixarmos nos levar pelo clima contagiante, pela empolgação de seu feito e especialmente pela homenagem tão significativa feita a Paul Walker, ator que faleceu no final de 2013 em decorrência catastrófica. Com isso o filme melhora, ou ao menos o interpretamos melhor do que é. É um episódio vigoroso da franquia, sem sombra de dúvidas, levando a família de Toretto ao limite em cenas vertiginosas com ação explosiva e bem dirigidas pelo já consagrado James Wan. Mas percebam, há praticamente dois filmes em cena: o primeiro, o filme de ação roteirizado; o segundo, esse mesmo filme de ação readequado para prestar uma homenagem ao ator. Se desconsiderarmos o clima melancólico que o ronda por conta da relevância de Walker na série, então restará um filme bastante rasteiro. Adrenalina emana.

Sabe o que é ótimo nessa franquia? Ela não é feita unicamente para fãs. Ao longo de sua história inovou-se, inseriu novos personagens e trabalhou diferentes elementos, aspirando sempre a novidade e novos interesses sobre seu fundamento. Tal conquista é significativa, ainda mais quando se está no meio de tantas outras franquias que tentam a mesma sorte e não conseguem ter tanto êxito. Algo agracia esses filmes e, além da competente produção, seu elenco e seus personagens são chamarizes.

O elenco principal retorna. A família simbólica de Toretto está em peso, Letty (Michelle Rodriguez), Brian (Paul Walker), Mia (Jordana Brewster), Tej (Ludacris) e Roman (Tyrese Gibson) são presenças garantidas nessa nova trama que se desloca para vários países nos apresentando diferentes paisagens expostas em planos abertos. É preciso explorar dimensões físicas e evidenciar estradas como indicativos do que virá. Sabemos quem é a nova ameaça para os corredores, pois o vimos finalizar o longa anterior. O astro Jason Statham vive Ian Shaw e aqui busca por vinganç. A cena inicial é um preâmbulo da violência sequencial.

Como nos outros filmes, e isso diz respeito as inovações já mencionadas, há subtramas. Uma delas se arrasta quebrando o ritmo enérgico como oportunidade de descanso aos olhos e ouvidos dos espectadores. Falo sobre o drama romântico vivido entre Toretto e Letty, algo que particularmente achei terrivelmente aborrecido – talvez até pela total falta de talento de ambos os intérpretes em proporcionarem uma cena tocante, já que se contentam em fazer cara feia ou dar sorrisos de canto de boca. Outras várias subtramas e arcos vem condensar a obra, como por exemplo o que envolve Hobbs (Dwayne Johnson) que sai de cena –  desculpa banal pois não encontraram espaço para seu personagem no roteiro – para retornar em um outro instante como uma espécie de Deus ex machina, além de sugerir a ideia do bem, referente ao distintivo que carrega.

O diretor James Wan estabelece sua identidade na franquia a partir de planos alternativos adjacentes às cenas de ação, como aquelas em que a câmera gira ao acompanhar longas sequências de perseguição em ritmos dissonantes ou quando despenca imitando ângulos de queda. Tal escolha colabora com a tridimensionalidade trazendo algumas experiências diferentes ao público. Wan concebe um filme em que o foco é a diversão totalmente descompromissada, fazendo dela um regozijo florescente aos fãs do gênero.  Soa ridículo em vários sentidos, mas a série se permite, o absurdo faz parte de sua identidade.

Outros atores aparecem com personagens alternativos. Djimon Hounsou ganhou uma ponta e um bocado de frases que precisavam ser interpretadas com cara fechada a partir de uma caricatura; e Kurt Russell – não vejo outro nome mais adequado para o personagem que vive aqui – faz quase uma sátira de si mesmo. Sendo um dos filmes mais idiotas e estúpidos da temporada – e acredite, isso é um elogio diante o objetivo da obra –, conseguirá permanecer por um bom tempo nas salas de cinema divertindo com sua total falta de senso, o que implica numa forma autoral de recreação. Será mesmo que esse sétimo foi o último?

É muito provável que Velozes e Furiosos 7 piore ao longo dos anos, pois não é um grande filme. Como anteriormente mencionado, a empolgação em volta que se transformou é grande demais por, especialmente, referenciar um de seus principais atores. Até atrasou para ser lançado o que contribuiu para ganhar uma expectativa maior. Já a homenagem foi verdadeiramente comovente, no entanto é preciso afirmar: a obra nada mais é que uma repetição com outra roupagem, um filme ordinário muito bem dirigido e com um grupo de personagens que encontraram profunda identificação no imaginário popular por representações contemporâneas e inferências da modernidade. É sessão pipoca de primeira.

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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