Críticas

Published on maio 23rd, 2016 | by Marcelo Leme

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Crítica: X-Men: Apocalipse

XMen ApocalipseSe existe algo que essa franquia X-Men deu conta de fazer foi montar um grande elenco para viver seus personagens. Os atores estão tão bem que fatalmente exigirão que futuros intérpretes se desdobrem para dar um mínimo de dignidade aos mesmos personagens. Cobrança de fã que está além de fan service. Existe uma razão para tal elogio: o curso do roteiro ao longo dos três filmes. Quando X-Men: Primeira Classe (2011) foi lançado, conhecemos alguns de seus atores que por sua vez viviam personagens que se conheceriam em sua juventude e montariam no futuro um time. O que quero dizer é que trabalharam a construção de personagens em um único filme de diferentes formas, equilibrando ficção e realidade. E fazer isso, em um roteiro que precisa ter viabilidade comercial, não é uma das tarefas mais fáceis. Nomes como Michael Fassbender, James McAvoy e Jennifer Lawrence muito contribuíram para isso. E há outros que ganharam o estigma dos personagens (para o bem e para o mal de suas carreiras).

Em X-Men: Apocalipse, a fórmula se dá de maneira similar com a apresentação de 3 novos mutantes: Noturno, Ciclope e Jean Grey. Estou desconsiderando outros, os ‘vilões’ ou ‘antagonistas de ocasião’. O trio aparece para tocar o filme com a experienciação de seus poderes e enfrentamentos à imaturidade. Assim teremos quem acompanhar num fluxo de desenvolvimento. Já os vilões não tem tanto o que fazer em cena a não ser somar ao rival da vez. Uma pena, já que me pareceu um desperdício ignorar a presença exuberante de Psylocke, bem vivida por Olivia Munn. Quantas falas são dedicadas a ela? Bem, ao menos com seus contornos e figurino a moça favorece a arte plástica e a fotografia.

Tudo é magnânimo neste novo filme. E tanto exagero faz mal, pois empobrece a narrativa e transforma tudo num vaidoso caos de efeitos! Não há fé cênica que dê conta desse exagero retumbante que serve para espremer o espectador na cadeira. É injeção de inquietação em doses pesadas. Precisaria disso tudo? Não, certamente, mas também está longe de comprometer a experiência. Não é um filme extraordinário, mas é bom e eficiente. E em uma referência metalinguística, assistimos a uma cena totalmente deslocada do roteiro, a qual traz um grupo saindo de um cinema refletindo que geralmente os terceiros filmes das trilogias são os piores. Foi assim em X-Men: O Confronto Final (2006) e se repete aqui. X-Men: Apocalipse é o pior filme da nova trilogia, o que evidentemente não significa que é um filme ruim.

Abarcar os 6 filmes da franquia é um interesse questionável e um desafio complicado. No filme anterior, o resgate de outros atores em tempos distintos funcionou brilhantemente, pois evocou nostalgia. A nostalgia melhora muitos filmes, viu?! Bom para a sessão. Trazer velhos atores e explorar queridos personagens contribui para o sucesso. Lawrence, por exemplo, tem muito tempo em cena. Mercúrio praticamente refaz uma das cenas que o consagrou. E tem a Psylocke saindo das penumbras, fazendo com que o espectador deseje que fique mais tempo sob a luz.

Aprecio muito a forma com a qual o universo de X-men trabalha com diferenças, explora preconceitos e apresenta óticas sociais como metáfora de convivência no mundo.

A linha humanista pesa a favor de toda a trilogia. Bryan Singer, que não tem tanto jeito em explorar emoções, é totalmente dependente da qualidade de seus atores. Aqui percebemos isso numa das cenas com imenso potencial de ternura e melancolia, vivenciada por Fassbender com seu Magneto. O peso de sua mão na cena derruba completamente o clima desolador desejado, traduzida no semblante de Fassbender, sendo tristemente comprometida por um exagero incabível – não pela tragédia, mas pela condução dela.

Já o esperado e tão comentado Apocalipse, que fora bombardeado de críticas por conta de seu figurino, realmente constrange visualmente. Suas ações, por sua vez, assombram. Ele é um ótimo oponente. Parte disso se deve ao excelente Oscar Isaac. No entanto, que temor sua figura imagética consegue passar? Ele também é um ótimo figurinista e maquiador. Parece gostar de aliados com trajes pomposos. Bom para nós, no caso de Betsy Braddock, a Psylocke. Aliás, já falei sobre ela?

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About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



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