Entrevistas

Published on julho 14th, 2016 | by Marcelo Leme

0

Prosa com Flavio Sardinha

Entrevista realizada com o diretor de “Jovens Donzelas”, filme selecionado para o FestCine Poços de Caldas.
Borboleta CANNESFlavio, parabéns pelo seu filme. Quer nos contar um pouquinho sobre o processo criativo para a realização dele?

Muito obrigado, em uma conversa com o nosso produtor Lucas Murata, refletimos sobre a história e como a emigração fez parte da busca por uma vida melhor. Por essa razão, muitos deixaram famílias inteiras, amigos e abandonaram as raízes em busca de um novo começo, pela atração de uma vida nova e de poder começar sua história do zero. Muitas vezes a realidade não é essa, a mudança traz dificuldade, abandono, solidão e distanciamento dos valores individuais.

A história do Brasil foi formada através da imigração. Ao longo do tempo, a cultura brasileira ainda persiste na crença que a mudança para uma região mais desenvolvida economicamente leva não só à riqueza mas também à realização plena de seus desejos e sonhos. Nessa cultura, existe uma imagem idealizada de lugares como Estados Unidos ou países da Europa, onde supostamente encontrariam a solução dos seus problemas econômicos, pessoais e afetivos.

O “Jovens Donzelas” retrata esta realidade brasileira e trata o dilema de realizar o sonho de uma emigração em busca de uma vida melhor, abandonando os vínculos familiares mais fortes e a sociedade que se está inserido. O projeto traz a reflexão sobre valores e conexões entre as pessoas, o questionamento sem julgamento das escolhas, mas sim uma complexa formação de desejos e sonhos.

Acho que em poucos minutos você conseguiu tratar de temas muito relevantes. E o melhor, em momento algum soou panfletário. O que lhe motivou a falar sobre a prostituição de jovens brasileiras fora do país? 

Apesar do filme possuir duas pontas extremas mais aparente (prostituir/relação familiar), não busca discutir o que seria hipoteticamente certo ou errado, mas sim as pequenas nuanças dessa zona cinzenta e não clara da busca individual, dos desejos reais livres da culpa ou moralidade, a difícil escolha de deixar para trás sua zona de conforto e seus elos que a fizeram como pessoa para partir em busca do seu autoconhecimento através de uma estrada desconhecida.

E sobre a periferia paulistana? Acha que ali há muitas histórias que precisam ser contadas?

Com certeza a periferia paulistana tem muitas histórias que precisam ser contadas, como inclusive tem sido feita através de projetos incríveis, no entanto as histórias estão por toda parte independente da localização, da condição e do contexto social, as pessoas são muito interessantes, com diferentes pontos de vista, expectativas e vivência.

Uma característica de seu filme são as atrizes. Carol Macedo está ótima. É muito promissora. Como foi trabalhar com ela?

Esse é um filme com uma proposta intimista, de reflexão sobre a difícil tarefa de decidir as coisas na vida e para isso só conseguiríamos realizar se contássemos com atrizes incríveis, e nisso tivemos muita sorte, Carol Macedo, Debora Settanni e Valoli Vieira, todas talentosíssimas. A Carol é uma atriz incrível,  jovem com bastante experiência, muito generosa, que esta constantemente agregando as cenas, ao roteiro, a equipe. Foi uma experiência de imersão forte e vivência única.

É seu primeiro filme enquanto diretor? 

Não, esse é meu sexto filme que dirijo, no ano passado tivemos a grata experiência dos festivais com outro curta-metragem chamado “Sou Minha”.

O que pensa sobre o cinema nacional? Estamos trilhando um bom caminho ao tratar de temas sociais em alguns de nossos filmes?  

O cinema nacional tem uma história belíssima, claro que passamos por alguns períodos de escassez mas ultimamente tem desenvolvido projetos incríveis, o que mais me chama a atenção é a despolarização do cinema, ele não está concentrado em um centro especifico mas sim acontecendo por todo lado, com a facilidade de acesso, comunicação e cada vez mais escolas preparando as pessoas temos umas expectativa de crescimento e de formação de um mercado mais maduro.

Os temas sociais são importantes porque refletem nossa história, nosso momento, ajuda a nos entender e ver realidades muitas vezes diferentes das que estamos acostumados, além do formato educacional que ajuda a compreensão no futuro sobre nosso passado, o filme é um registro de um tempo, que estará sempre disponível para a reflexão.

Comments

comments

Tags: , , ,


About the Author

Marcelo Leme

Realizador, roteirista, curador, crítico de cinema do portal cineplayers.com e colunista semanal do Jornal da Cidade de Poços de Caldas. Trabalha no Instituto Moreira Salles. Entusiasta da sétima arte, é credenciado em festivais de cinema como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Paulínia Film Festival. Teve, em 2013, um de seus textos selecionados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). >>> instagram.com/marceloafleme



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑
  • ASSISTA NOSSOS FILMES DE GRAÇA

  • Parceiros

    Parceiro - Adorocinema
  • Parceiro - Centerplex
  • Inscreva-se no Youtube!